quinta-feira, 1 de maio de 2014

1º. DE MAIO – DIA INTERNACIONAL DO TRABALHADOR

         A comemoração do 1º. de Maio em Portugal, só se tornou possível com a revolução dos Cravos, mas importa  referir a razão que levou  todo o Mundo à celebração desta efeméride.
         A história do movimento operário internacional está recheada de acontecimentos e datas extremamente importantes. O 1º. De Maio assume, indiscutivelmente, particular relevo e o mais profundo significado histórico.
         A este dia estão intimamente ligados muitas das maiores e mais exaltantes jornadas e movimentações de luta da classe operária, que, com sofrimento, coragem e determinação, demonstrou claramente o quanto é capaz a vontade colectiva dos trabalhadores para melhorar as suas condições de vida e de trabalho, vencer injustiças e desigualdades sociais, mudar mentalidades, transformar as sociedades e pôr fim à exploração do homem pelo homem.
De todos os dias Feriados ou comemorativos reconhecidos pela Lei Portuguesa, o 1º. de Maio é aquele cuja celebração oficial é mais recente. O seu reconhecimento oficial remonta a 1974, altura em que, na sequência dos acontecimentos do 25 de Abril, se comemorou legalmente, após longos anos de proibição, e pela primeira vez este dia foi dedicado à celebração política da conquista histórica de importantes direitos dos trabalhadores e das suas lutas desenvolvidas a nível internacional.
         Importa referir que o regime que vigorava antes de 25 de Abril de 1974  proibia as manifestações relacionadas com o 1º. de Maio pelo carácter de contestação política que sempre esteve relacionado com esta data. Mesmo assim, ao longo das décadas de 50 e 60, nomeadamente no Alentejo e nos grandes centros urbanos, foram levadas a cabo manifestações de protesto no 1º. de Maio, com os objectivos, entre outros, de impor a jornada de luta de oito horas de trabalho diário, de conseguir melhores salários e soluções para o problema da guerra colonial.
 No 1º. de Maio de 1974, realizaram-se um pouco por todo o País, grandes manifestações comemorando o dia do trabalhador e apoiando as novas autoridades e as transformações políticas recentemente introduzidas na sociedade portuguesa.
         Na maior de todas as manifestações, a realizada em Lisboa, contou com a presença de exilados políticos recentemente regressados do estrangeiro. Entre eles estavam Mário Soares e Álvaro Cunhal que iriam desempenhar um papel muito importante no desenvolvimento da acção política dos anos pós 25 de Abril.
         Esta é a história do primeiro de Maio em Liberdade, mas importa lembrar aos mais novos, aos que nasceram depois de 25 de Abril de 1974 e viveram sempre num regime Democrático, que a vida dos seus progenitores foi bastante difícil e recheada de percalços quase intransponíveis.
          As origens históricas da comemoração do 1º. de Maio remontam ao século XIX. Em 1886, realizou-se uma manifestação de trabalhadores nas ruas de Chicago. Essa manifestação tinha como finalidade reivindicar a redução da jornada de trabalho para oito horas diárias e teve a participação de milhares de pessoas e nesse mesmo dia teve início uma greve geral, seguindo-se outras manifestações e formas de luta que levaram ao lançamento de uma granada, por desconhecidos, para o meio da força policial matando sete agentes. A polícia abriu fogo sobre a multidão, matando doze pessoas e ferindo dezenas de manifestantes.
         Estes acontecimentos, divulgados pela imprensa de todo o Mundo industrializado da época, marcaram o início da luta generalizada pelas oito horas de trabalho diário.
         A 20 de Junho de 1889, a segunda Internacional Socialista reunida em Paris decidiu por proposta de Raymond Lavigne convocar, anualmente, uma manifestação com o objectivo de lutar pelos direitos dos Trabalhadores.
         O drama vivido em Chicago marcou negativamente as manifestações do 1º. de Maio, levou que a Internacional Socialista de Bruxelas proclamasse esse dia como o Dia Internacional das Reivindicações de Condições Laborais.
         Não quero terminar o historial do 1º. de Maio sem prestar a minha homenagem e admiração aos “Mártires de Chicago” e da luta de gerações de revolucionários, muitos sacrificando-se e pondo a sua vida em risco, lutaram contra a exploração, tendo como único objectivo o bem-estar de todos os trabalhadores e na intenção de lutar por uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.
VIVA O 1º. DE MAIO  E A TODOS OS TRABALHADORES DO MUNDO
Siripipi-Alentejano
Campo Maior, 1 de Maio de 2014     
        


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