quarta-feira, 2 de julho de 2014

CAMPOMAIORENSE – QUEM TE VIU E QUEM TE VÊ !...

 Hoje dia 1 de Julho, o nosso Campomaiorense completa 88 anos de vida, foi graças a um punhado de Campomaiorenses, Sportinguistas de coração, que neste dia de 1926, resolveram constituir este Clube, tornando-o uma das primeiras Filiais do Sporting Clube de Portugal e consequentemente um dos maiores ícones do nosso Alentejo.
Ao longo destes 88 anos de vida, o Campomaiorense viveu períodos de muitas alegrias e de algumas tristezas, tornando-se como um dos maiores esteios Desportivos do Alentejo. Foi igualmente um grande formador de Homens, contribuindo para o enriquecimento da cultura física dos nossos Jovens, unindo-os na prática desportiva como forma de os afastar das misérias sociais que a vida, por vezes, os confronta “ Alma sã em Corpo São”.
É um Clube com uma História riquíssima, filiado na Associação de Futebol de Portalegre, o Campomaiorense ganhou oito Troféus importantes: Campeão da 2ª. Divisão na época de 91/92, a Liga de Honra na temporada de 96/97, Campeão Distrital da 1ª. Divisão da A.F.Portalegre em quatro ocasiões (62/53, 69/70, 71/72, 2011/12, o Campeonato de Portalegre em 1946 e da A.F.Portalegre-Supertaça na temporada de 2011/12. Participou em muitos Campeonatos  Nacionais da Terceira Divisão e em variadas edições da Taça de Portugal de que foi Finalista em 1999, derrotado pelo Beira-Mar, curiosamente por ter descido de Divisão.
O Campomaiorense foi promovido pela primeira vez à 1ª. Divisão Nacional, em 1995, sob a orientação de Manuel Fernandes. O clube foi apenas o terceiro Clube do Alentejo a atingir o direito de participar na 1ª. Divisão Nacional, os outros dois foram o Lusitano de É em 1960 e o nosso eterno rival (no bom sentido)  “Elvas” na década de 80. Os maus resultados na época de 95/96 provocaram a saída de Manuel Fernandes e a consequente descida de Divisão.
Na época de 96/97, com a chegada de novos jogadores, fomos Campeões da 2ª Divisão e ascendeu de novo à 1ª Divisão treinado pelos Luvas Pretas João Alves depois de ter substituído Diamantino Miranda, cujo trabalhos não deu resultados agradáveis. Em 2001 baixamos à 2ª. Divisão e face às despesas do Clube o Presidente resolveu acabar com o profissionalismo, passando desde então a competir nos Campeonatos de Juvenis.  Em2006/07,o Campomaiorense  ressurgiu e começou a competir a nível regional. Na época de 2011/12, o Campomaiorense ganhou o Campeonato Distrital e o acesso à 3ª. Divisão Nacional, mas por decisão da sua Direcção, renunciou participar no Campeonato.
Foi a morte de um Clube que tudo deu em prol do Futebol da nossa Região, limitando-se unicamente à formação dos Jovens Campomaiorenses.
Aos Campomaiorenses resta-lhes as recordações de um passado desportivo que muito nos orgulhou, que trouxe milhares de adeptos de todos o Sul do País, especialmente Alentejanos, que trouxe desenvolvimento e movimentação nos serviços de restauração, enfim, que ajudou a levar o nome da nossa Terra em Portugal e até no Estrangeiro.
A nível de profissionais do Futebol, muitos foram os que também nos deixaram gratas recordações: Treinadores: Manuel Fernandes, Diamantino Miranda, João Alves, José Pereira, Carlos Manuel; Jogadores: Abel Silva, Beto, Bruno Mendes, Bruno Patacas, Carlos Fernandes, Carlos Martins, Filipe Azevedo, Filipe Fernandes, Jimmy, Jorge Ferreira, Jorge Ribeiro, Marco Almeida, Marco Silva, Nuno Afonso, Paulo Torres, Rogério Matias, Carlos, Détinh, Isaias e muitos outros.
Hoje olhamos para o Estádio Capitão César Correia, que nos grandes jogos esgotava a sua lotação (7.500), para em jogos das camadas jovens (hoje) a sua assistência limita-se a algumas dezenas, o que me leva a dizer: “CAMPOMAIORENSES – QUEM DE TE VIU E QUEM TE VÊ !...
Melhores dias poderão vir, os Jovens de hoje merecem que um dia voltem a ver o velhinho Sporting Clube Campomaiorense nas ribaltas do Futebol, todavia, é preciso agradecer a quem tornou possível essas épocas áureas (Presidente João Manuel Nabeiro e seu Pai, Comendador Rui Nabeiro) esperando que um novo raio de esperança permita, com alguma moderação financeira, voltar de novo a erguer bem alto o nome de Campo Maior e do Sul de Portugal no Desporto Rei, a Sul do Tejo, com a excepção do Vitória de Setúbal, o Futebol é uma simples Miragem.
Parabéns Campomaiorense pelos 88 anos de vida ao serviço do Desporto Local, Regional.
Campo Maior, 1 de Julho de 2014
Siripipi-Alentejano


quarta-feira, 18 de junho de 2014

BARRAGEM DO ABRILONGO

Há dias li na Imprensa Nacional que o Governo pode usar fundos estruturais para concluir Alqueva em 2 015, é uma notícia que apraz a todos os Alentejanos, mas que peca por tardia. É bom não esquecer que o projecto do Alqueva iniciou-se há mais de 40 anos, passou por várias fases com alguns senãos pelo meio, mas acabou por ser finalizado por Guterres, no que diz respeito à Barragem. O Alqueva foi sem qualquer dúvida uma das maiores Obras Públicas realizadas no Alentejo no final do século passado, contudo ainda ficou por realizar muitos km do sistema de regadio. Este enorme Lago artificial, o maior da Europa, foi concebido para o desenvolvimento desta Região, também conhecida, na altura como o Celeiro do País. Oxalá que o actual Governo não descure esta oportunidade e conclua-a em 2015.
Foi com base nesta notícia que vou agora falar-vos de outro caso muito parecido, a Barragem do Abrilongo, inaugurada em 2000, já á vão 14 anos e continua sem ser convenientemente aproveitada por não terem sido construídas os canais de distribuição, apesar de existir uma Associação de Regantes do Xévora. Foi mais um investimento feito sem que haja retorno e que no estado em que se encontra só acarreta prejuízos para o Estado e consequentemente para os Agricultores que poderiam fazer regadio. A Barragem do Abrilongo foi construída na Ribeira do mesmo nome, afluente do Rio Xévora, ambos nascidos nas encostas da Serra de São Mamede, pertencendo à Bacia Hidrográfica do Guadiana, onde desaguam. Importa agora dar a conhecer aos Campomaiorenses e a todos em geral alguns dados interessantes desta obra.
O projecto foi iniciado em 1993 pela COBA e a obra realizada pela EDIFER, a sua Bacia tem uma área de 124 Km2 e uma capacidade total de 19 900 000 de m3, sendo a sua capacidade útil de 18 900 000 m3. A área de rega inicial é de 1.764 Ha, podendo ir até à aos 2.053. Ha e o pleno armazenamento pode ir até à cota 252, sendo a cota de coroamento 254,7 m. O Paredão  tem uma altura  de 27 m e é do Tipo: Aterro/Terra Zonada.
A Barragem situa-se na Freguesia de Degolados, Concelho de Campo Maior e vai-se até ela, a partir de uma estrada de alcatrão que nasce à esquerda da EN 371que leva à fronteira, estando sinalizada por placa identificadora.
A Ribeira do Abrilongo faz fronteira com a Extremadura Espanhola a partir da Aldeia de Parra até à própria Barragem. Há um pormenor bastante interessante que importa referir, é que parte dela está dividida em duas partes pela Raia, mas não pelo meio, como seria de esperar, mas sim apenas em parte. Quem vem de Degolados encontra-se com a Estrada a passar acima da Barragem até que, subitamente, deixa de estar alcatroada, é então substituída por um caminho de terra batida onde confluem outros caminhos que são fronteiriços.
A Fronteira decorre pelos arames farpados que delimitam os montados Espanhóis vizinhos da nossa Terras, importa referir que o caminho é inteiramente Português, mas os campos são Espanhóis, aí estão colocados os marcos fronteiriços 716-A e o 716-B a marcar a Raia.
Posto isto, o que importa dar a conhecer é a razão porque a Barragem se encontra neste Estado e porque não foi ainda terminada. A verdade é que Comissão Europeia cancelou as verbas para o acabamento da Barragem por ameaçar o habitat de aves estepárias (Grou, Cisão e Abetarda) da ZPE-Zona de Protecção Especial de Campo Maior, este ZPE foi criada exclusivamente para a sua protecção e salvaguarda do seu habitat, por estarem ligadas às culturas de sequeiro. Foi criada a Associação dos Regantes  e  Beneficiário do Xévora, cuja actividade, em termos da utilização da água da Barragem, é desconhecida.
Foi mais um investimento, cujo valor desconheço, mas que apesar de tudo se tornou um local aprazível para a prática desportiva (Pesca, Vela e outras) e a sua situação convida todos os que querem estar em contacto com a Natureza, ou passar um dia sossegado no meio de uma calmaria absoluta.
Siripipi-Alentejano



segunda-feira, 12 de maio de 2014

ELEIÇÕES EUROPEIAS – VOTAR É UM DEVER CÍVICO
No próximo dia 25 de Maio, os Cidadãos Comunitários vão ser chamados a votar para elegerem os Deputados que vão integrar o Parlamento Europeu. É um acto Eleitoral da maior importância para todos os Países que compõem a UE, em especial para nós porque estamos vivendo uma austeridade pesadíssima, face à dívida contraída junto da Troika e da restante dívida que tem o Estado.
Essa dívida (78 mil milhões de euros) só daqui a três décadas, 2042, é que nos veremos livre dela. Uma geração inteira terá de carregar o pesado fardo da dívida do Estado. É caso para perguntar: Aguentará?
Segundo um artigo publicado na Visão, a dívida do Estado de 162,5 mil milhões de euros em 2010, passou para 213,6 mil milhões em 2012. Actualmente o Estado desembolsa 7 mil milhões de euros só em juros da dívida. Quase tanto como gasta na Saúde. Desde que a crise começou em 2007, Portugal já pagou 41 mil milhões de euros em Juros – um valor idêntico ao que a Alemanha poupou, com a redução dos juros da sua própria dívida, olhada como um refúgio “seguro” à medida que as Taxas dos Países sob pressão – Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha, Itália – disparavam. Desse montante, mais de 4 mil milhões voaram directamente para os Bolsos da Troika.
A Visão questiona os seus Leitores: Mas, afinal, porque cresceu a dívida, nestes três anos? Seremos capazes de pagá-la’ Ou, devemos renegociá-la? Cada um deverá construir a sua própria resposta. É um exercício difícil, mas na verdade ninguém nos dá explicações.
São estes e outros problemas que pesam nas costas dos Portugueses, que esperamos que possam ser resolvidos pelo Governo, com a contribuição dos Deputados Europeus, nas áreas que lhes estão cometidas face ao conteúdo do Tratado da União Europeia.
É uma das matérias mais importantes da próxima legislatura da União Europeia, ou seja a resolução da forma de pagamento das dívidas dos Países membros, reformulando o actual Tratado, minimizando os custos de forma a proporcionarem aos seus cidadãos um desenvolvimento sustentável, assente num crescimento económico equilibrado, promovendo se possível, o pleno emprego e o progresso social.
A União tem por objectivo promover a paz, os seus valores e o bem-estar dos seus povos, por isso é de todo o interesse que os Cidadãos utilizem, como arma de luta reivindicativa o voto, para que os Eleitos possam pugnar pelo bem-estar de todos os Cidadãos da Comunidade.
Votar é um dever cívico, consignado na Constituição, fruto de uma Democracia nascida em 25 de Abril de 1974, que nos tornou num Povo livre das amarras da ditadura por que passamos.
A Campanha Eleitoral começou hoje, os Partidos e Coligações vão estar por aí, vão apresentar os seus Programas e nós devemos ouvi-los, ler e meditar nas suas propostas e no dia 25 resta-nos votar em consciência.
Siripipi-Alentejano






sexta-feira, 9 de maio de 2014

TROIKA PARTE E A AUSTERIDADE VAI CONTINUAR
        Os Portugueses nestes três últimos anos sofreram na pele as exigências da Troika, impostas pelo programa de assistência financeira, acrescidas de outras medidas que o Governo quis implementar, tornando-se mais Trokistas do que os senhores da Troika.
      O Governo pretende no próximo dia 17 de Maio reunir extraordinariamente o Conselho de Ministro para “festejarem” o fim do programa de assistência financeira.
O que é que pretendem festejar? Sim, é verdade, querem festejar a Pobreza, os Cortes de Salários, os Cortes de Pensões e Reformas, enfim, festejarem a Miséria do nosso Povo, festejar o Desemprego que cada vez é maior, festejar o êxodo da nossa Juventude que procura no Estrangeiro, por os conhecimentos adquiridos nas nossas Universidades, pagas por dinheiros públicos, ao serviço de outros Países.
Onde estão as perspectivas de futuro? Serão estas pseudo perspectivas que estão a celebrar? Será que para Passos Coelho e Paulo Portas é este o seu 25 de Abril? Não, isto é uma traição aos Capitães de Abril.
A presença da Troika em Portugal, nestes três últimos anos, foi um despudor, uma vergonha e um atentado à nossa soberania e à nossa democracia.
Foram três anos a retalhar as Famílias impondo-lhes a emigração, a retalhar empregos e serviços do Estado e agora vem com palavrinhas mansas dizer que a recuperação já está em marcha, que melhores dias vão vir, que vai já em 2015 repor salários, reformas e pensões que já tinham sido espoliadas, que vai baixar o IRS.
O programa de assistência acaba, mas os sacrifícios continuam. Já a partir de agora e no próximo ano, vamos ter uma austeridade adicional de cinco mil milhões de euros. Ao mesmo tempo, ficamos a saber por um membro do Governo que Portugal está na iminência de perder muitos milhões de euros de fundos comunitários porque a Ministra das Finanças não desbloqueia a contrapartida Nacional.
Portugal encontra-se numa situação difícil, com a tragédia social que vive, com o fraco investimento que tem, não pode perder aqueles cinco mil milhões de euros para investimentos, para dinamizar a economia e criar postos de trabalho.
A DEO - Documento  de  Estratégia Orçamental contém medidas que não são mais do que uma tentativa para enganar os Portugueses, vêm aí mais cortes, mais austeridade, mais encerramentos de Escolas, Centros de Saúde, Tribunais e redução de Funcionários.
O Povo que tem sofrido e vai continuar a sofrer com os devaneios destes politiqueiros, tem a obrigação de começar a pensar a melhor forma de os substituir, todavia, a decisão que vierem a tomar deve ser bem ponderada e não ir na conversa deles, quem neles votar, não venham depois queixar-se.
Aproximam-se as Eleições para o Parlamento Europeu, é a melhor altura para o Povo demonstrar o seu estado de espírito, dando-lhes apoio ou penalizando-os com seu voto.
Portugal necessita de um Governo que acabe com a austeridade, que implemente políticas económicas geradoras de riqueza e de postos de trabalho e que acabe com as assimetrias sociais.

Siripipi-Alentejano

quinta-feira, 1 de maio de 2014

1º. DE MAIO – DIA INTERNACIONAL DO TRABALHADOR

         A comemoração do 1º. de Maio em Portugal, só se tornou possível com a revolução dos Cravos, mas importa  referir a razão que levou  todo o Mundo à celebração desta efeméride.
         A história do movimento operário internacional está recheada de acontecimentos e datas extremamente importantes. O 1º. De Maio assume, indiscutivelmente, particular relevo e o mais profundo significado histórico.
         A este dia estão intimamente ligados muitas das maiores e mais exaltantes jornadas e movimentações de luta da classe operária, que, com sofrimento, coragem e determinação, demonstrou claramente o quanto é capaz a vontade colectiva dos trabalhadores para melhorar as suas condições de vida e de trabalho, vencer injustiças e desigualdades sociais, mudar mentalidades, transformar as sociedades e pôr fim à exploração do homem pelo homem.
De todos os dias Feriados ou comemorativos reconhecidos pela Lei Portuguesa, o 1º. de Maio é aquele cuja celebração oficial é mais recente. O seu reconhecimento oficial remonta a 1974, altura em que, na sequência dos acontecimentos do 25 de Abril, se comemorou legalmente, após longos anos de proibição, e pela primeira vez este dia foi dedicado à celebração política da conquista histórica de importantes direitos dos trabalhadores e das suas lutas desenvolvidas a nível internacional.
         Importa referir que o regime que vigorava antes de 25 de Abril de 1974  proibia as manifestações relacionadas com o 1º. de Maio pelo carácter de contestação política que sempre esteve relacionado com esta data. Mesmo assim, ao longo das décadas de 50 e 60, nomeadamente no Alentejo e nos grandes centros urbanos, foram levadas a cabo manifestações de protesto no 1º. de Maio, com os objectivos, entre outros, de impor a jornada de luta de oito horas de trabalho diário, de conseguir melhores salários e soluções para o problema da guerra colonial.
 No 1º. de Maio de 1974, realizaram-se um pouco por todo o País, grandes manifestações comemorando o dia do trabalhador e apoiando as novas autoridades e as transformações políticas recentemente introduzidas na sociedade portuguesa.
         Na maior de todas as manifestações, a realizada em Lisboa, contou com a presença de exilados políticos recentemente regressados do estrangeiro. Entre eles estavam Mário Soares e Álvaro Cunhal que iriam desempenhar um papel muito importante no desenvolvimento da acção política dos anos pós 25 de Abril.
         Esta é a história do primeiro de Maio em Liberdade, mas importa lembrar aos mais novos, aos que nasceram depois de 25 de Abril de 1974 e viveram sempre num regime Democrático, que a vida dos seus progenitores foi bastante difícil e recheada de percalços quase intransponíveis.
          As origens históricas da comemoração do 1º. de Maio remontam ao século XIX. Em 1886, realizou-se uma manifestação de trabalhadores nas ruas de Chicago. Essa manifestação tinha como finalidade reivindicar a redução da jornada de trabalho para oito horas diárias e teve a participação de milhares de pessoas e nesse mesmo dia teve início uma greve geral, seguindo-se outras manifestações e formas de luta que levaram ao lançamento de uma granada, por desconhecidos, para o meio da força policial matando sete agentes. A polícia abriu fogo sobre a multidão, matando doze pessoas e ferindo dezenas de manifestantes.
         Estes acontecimentos, divulgados pela imprensa de todo o Mundo industrializado da época, marcaram o início da luta generalizada pelas oito horas de trabalho diário.
         A 20 de Junho de 1889, a segunda Internacional Socialista reunida em Paris decidiu por proposta de Raymond Lavigne convocar, anualmente, uma manifestação com o objectivo de lutar pelos direitos dos Trabalhadores.
         O drama vivido em Chicago marcou negativamente as manifestações do 1º. de Maio, levou que a Internacional Socialista de Bruxelas proclamasse esse dia como o Dia Internacional das Reivindicações de Condições Laborais.
         Não quero terminar o historial do 1º. de Maio sem prestar a minha homenagem e admiração aos “Mártires de Chicago” e da luta de gerações de revolucionários, muitos sacrificando-se e pondo a sua vida em risco, lutaram contra a exploração, tendo como único objectivo o bem-estar de todos os trabalhadores e na intenção de lutar por uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.
VIVA O 1º. DE MAIO  E A TODOS OS TRABALHADORES DO MUNDO
Siripipi-Alentejano
Campo Maior, 1 de Maio de 2018    
        


quinta-feira, 24 de abril de 2014

VAMOS CHAMAR OS BOIS PELOS SEUS NOMES

Portugal e os Portugueses estão vivendo um dos períodos mais difíceis da sua vida contemporânea, para não dizer da sua História recente. A verdade é que nos foi imposta uma austeridade implacável e que nos obriga a viver quase no limiar de uma extrema pobreza.
Muitos são os que já passaram períodos muito difíceis nos anos cinquenta e sessenta, que se viram confrontados com a miséria, a fome, a falta de trabalho e com a opressão imposta por uma Ditadura de mais de quarenta anos, contudo, actualmente em democracia, as dificuldades que vivemos são fruto da imposição de um grupo de agiotas que têm unicamente um objectivo – explorar os nossos recursos e recolher todos os dividendos possíveis, visando a obtenção de lucros que encham os seus cofres sem fundo.
Os incautos, que somos nós e que fomos sujeitos durante décadas a viver uma vida sem esperança e sem futuro, sofremos resignadamente esses horrores e contribuímos com a nossa passividade, que isso se tornasse possível.
Os da minha geração, hoje com mais de sessenta anos, filhos de gente pobre e honrada, lembram-se como foi a sua Juventude, como era querer comer e não o ter, ir para a escola em jejum, descalço, fizesse calor ou frio porque os Pais não lhes podiam proporcionar uma vida melhor.
O trabalho não abundava, o desemprego imperava, a vida era extremamente difícil, o sofrimento e as dificuldades das Pessoas estava expressa nos seus rostos tristes e as crianças que não estavam imunes a essa situação, eram o reflexo dessa vida e os que mais sofriam.
 Nesse tempo, muitos jovens, aos sábados, iam às casas dos Lavradores na esperança de que lhes dessem um Marrocate, um pedaço de queijo ou de toucinho para lhes saciar a fome, uma vez que nas suas casas as necessidades eram muitas e os Pais não tinham trabalho nem nada para lhes dar. Havia um contraste abismal entre os Pobres e os Ricos.
Além do trabalho na Agricultura e nos serviços, havia também quem se dedicava ao contrabando para poder angariar mais alguns recursos, era um trabalho duro e perigoso e que os sujeitava, quando apanhados pelas Autoridades Portuguesas ou Espanholas, à perda do contrabando e à prisão.
Na realidade, a forma de viver do Pobre era difícil, o futuro nunca lhes foi risonho, foi sempre tristonho e incógnito.
A esperança por uma melhor vida esteve sempre nas suas mentes, nunca baixaram os braços, aguardavam que melhores dias iriam aparecer e transformar a sua vida.
O renascer dessa esperança surgiu numa madrugada de Abril quando um punhado se Soldados, fartos das guerras de África e da opressão que se vivia, fruto da Ditadura que vigorava, resolveram devolver ao Povo a Liberdade e implantar a Democracia.
Essa Democracia está a esvaziar-se, está a perder a sua génese e o actual Desgoverno é o culpado dessa situação, é imperioso que se faça algo que permita fazê-la rejuvenescer para que não tenhamos, como diz o Povo, chamar os Bois pelo Nome, ou então apodá-lo de um Governo que deixou de ser Democratico para passar a ser novamente FACHISTA.
Não queremos nunca mais passar a viver como nas décadas de cinquenta e sessenta, queremos continuar a viver em Liberdade e em Democracia onde todos têm os mesmos direitos e deveres.
Siripipi-Alentejano


segunda-feira, 21 de abril de 2014

AS ARTES E OFÍCIOS POR ANDAM

Em meados do século passado, quando ainda se vivia sobre o jugo de uma Ditadura revanchista, o Povo Português estava subjugado pelos donos e Senhores deste País.
O dinheiro e o ouro armazenado por Salazar que enriquecia o País, mas que mantinha o Povo na miséria e no obscurantismo, era fruto da sua exploração e da riqueza produzida nas Colónias, essa riqueza acumulada nunca contribui para melhorar a vida dos Portugueses.
A educação e a cultura só servia para alguns, não havia interesse em que o Povo tivesse os olhos abertos, não lhes interessava que houvesse evolução para que não fossem desalojados dos seus Palácios e das suas mordomias.
O acesso ao Ensino Superior, por parte da população era bastante difícil por dificuldades económicas e nem todos tinham condições para mandarem os Filhos estudar nas poucas Faculdades que existiam. Só os abastados ou os filhos de médios proprietários ou empresários tinham acesso a esse ensino, os outros que eram a grande maioria, ficavam analfabetos ou limitava-se a frequentar o Ensino Básico e a aprender uma Arte ou Ofício. Os que nem isso conseguia, esperava-os os trabalhos agrícolas, servindo os senhores das Terras.
Nessa época, nem todas as Famílias podiam prescindir do salário que um Filho poderia auferir para o sustento da casa e se dedicassem, durante muitos anos e sem que ganhassem algo, a aprender uma profissão.
Nas décadas que antecederam o 25 de Abril, a Europa começava a evoluir lentamente, a tecnologia e as novas invenções começavam a dar os primeiros passos, a emigração que nos anos sessenta eclodiu, tornou-se numa nova esperança de vida e de oportunidade para o Povo, os Jovens que estavam fartos de uma Guerra Colonial que lhe era imposta e que os manietava, procuraram igualmente na emigração uma nova esperança de vida.
A agricultura era a actividade que maior número e mão-de-obra absorvia e as artes e ofícios que lhe servia de apoio, abarcava mais um número considerável de pessoas e os restantes dedicavam-se aos serviços.
Nesse tempos, Campo Maior tinham uma actividade enorme em diversas profissões – Carpinteiros, Serralheiros, Ferreiros, Sapateiros, Mecânicos, Latoeiros, Ferradores, Pedreiros, Alfaiates, Moleiros e nos períodos sazonais os Lagareiros, Caiadores e outros.
Estas actividades abarcavam grande parte da Juventude que queria aprender uma profissão e viam-se nas oficinas inúmeros aprendizes que davam continuidade a essas profissões.
Hoje, com a evolução tecnológica, muitas dessas profissões desapareceram, as oficinas fecharam, os mestres reformaram-se e os aprendizes deixaram de existir.
As grandes máquinas, as novas tecnologias, contribuíram para a diminuição de mão de obras, mas em contra partida, esta tornou-se mais especializada, obrigando o Homem a uma actualização permanente para acompanhar toda a evolução que surge em cada dia que passa.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, a verdade desta grande mudança é a inteligência humana, sem ela nada poderia ter evoluído, a agricultura de hoje é diferente, tal como as tecnologias de então deram lugar, com o evoluir da ciência, com o aparecimento da informática, da robótica e de outras modernidades, o Mundo é diferente e o Homem limitar-se-á a ser um mero observador, porque as máquinas passarão a fazer tudo.
Siripipi-Alentejano


quarta-feira, 16 de abril de 2014

QUARENTA QUATRO ANOS DE ABRIL
(A REVOLUÇÃO FEZ REVIVER A ESPERANÇA DOS PORTUGUESES)

Ao caminhar para os setenta anos de vida paro, medito e olho para o passado, mas sempre pensando num futuro risonho para todos os Portugueses.
         Estamos em Abril e a Primavera rejuvenesce os campos e as nossas mentes acompanham a vivência de uma estação de temperança e de vida. É altura de olhar os tempos que lá vão e de os analisar, comentando o que de bom ou mau nos trouxe.
Há um marco desse passado que reputo de extraordinária importância e que marcou a vida das gerações de setenta e as posteriores, decorria o ano de 1974 e da noite para o dia, Portugal renasceu das cinzas e da obscuridade em que se encontrava, por acção dos Capitães de Abril.
Vamos comemorar os Quarenta anos de Liberdade e Democracia, é imperioso que se continue a recordar e homenagear os Militares de Abril e os que, não sendo Militares, lutaram activamente, alguns na clandestinidade, para que a Democracia fosse uma realidade em Portugal.
Este trabalho é uma forma de recordar e homenagear os que tornaram possível o retorno à Liberdade. Na vida das pessoas há ocasiões que nos levam a reviver o passado e a meditar sobre episódios vividos.
Recordar é viver, diz o Povo, este provérbio leva-nos a divagar nas boas e más recordações. São factos do presente que nos remetem a factos do passado, levando-nos por isso a compará-los com a vida do dia-a-dia.
Foi a declaração descabida e desastrada, a uma pergunta de um Jornalista, dada pela Senhora Presidente da Assembleia da República, sobre a presença dos Capitães de Abril na sessão solene do aniversário dos quarenta anos, que repudio e me obriga a manifestar o meu desagrado pela deselegância como foram tratados os obreiros da nossa Liberdade, negando-lhes o direito de intervir na Casa da Democracia de que eles foram os principais obreiros.
Em 1974 encontrava-me em Angola, precisamente na povoação (Madimba) onde em 11 de Março de 1961 eclodiu a luta armada dos nacionalistas da UPA, assaltando a Fazenda Primavera, propriedade da Firma Nogueira Angola Internacional. Na altura a Madimba era povoada por populações deslocadas (oriundas do Quanza Norte, uma vez que os naturais refugiaram-se na República do Zaire, além de uma Companhia do Exército e das Autoridades Civis.
As instalações Militares eram em casas pré-fabricadas com poucas condições e quando eram visitadas por superiores, o Comandante da Companhia solicitava ao Administrador a cedência de quartos para os albergar. No dia 24 de Abril a Companhia Independente ali sediada, estava sendo inspeccionada por um Major do Batalhão de que estavam dependentes e que pernoitou na minha casa, esse Oficial era o então Major Ramalho Eanes.
Em Angola era habitual termos rádios receptores de grande potência para podermos ouvir diversas Estações, especialmente as que transmitiam em Português (Emissora Nacional, Rádio Argel, Deustvella da África do Sul, Rádio Moscovo, Rádio Pequim, entre outras) e foi cerca das duas horas da madrugada, pela voz de Manuel Alegre (refugiado na Argélia) como apresentador do programa “Voz Portugal Livre” que deu a conhecer a Revolução dos Cravos. De imediato acordei o Major Ramalho Eanes, dê-lhe a notícia e ficamos toda a noite seguindo os diversos Noticiários, centralizando a nossa audição na Emissora Nacional.
Passado uma semana, o Gen. Spínola que se encontrava na Guiné, chamou o Major Eanes de quem foi seu braço direito. Nunca fiquei a saber se o actual General e Ex-Presidente da República foi ou não um dos Capitães de Abril.
O 25 de Abril é o grito de revolta dos Militares contra o despotismo de um Governo retrógrado, prepotente, fachista e que teimosamente queria continuar a explorar Povos e a negar-lhes a sua autodeterminação.
É a esses homens, é a esses Militares que devemos a Liberdade e a Democracia e é a eles que temos o dever de continuar a homenagear, dando-lhe na nossa sociedade o lugar a que têm direito. Não podemos permitir que lhes seja negado o direito de intervir publicamente, se o fizerem é uma desconsideração para com todos os que tornaram possível que os Portugueses vivam em Liberdade e Democracia.
Eu como tantos outros que estivemos em África estamos-lhes agradecidos, pela sua acção salvaram muitas vidas.
LIBERDADE SEMPRE.

Siripipi-Alentejano

quinta-feira, 10 de abril de 2014

FESTA DA ENXARA

         Na próxima semana, a Páscoa vai atingir o auge com a Romaria de Nossa Senhora da Enxara, aí vão estar muitas centenas de Campomaiorenses, cumprindo uma tradição com mais de cinquenta anos e que a maioria desta geração desconhece a sua génese.
        Durante a semana da Páscoa, os Campomaiorenses e grupos de cidadãos de outros concelhos e muitos Espanhóis, não prescindem de passar essa semana aí acampados, desfrutando de uma das zonas mais atraentes das margens do Rio Xévora, junto da Igreja, onde dizem ter aparecido Nossa Senhora.
Hoje a romaria tornou-se num evento de grandes dimensões e uma montra gastronómica, de diversões e de um fraterno convívio popular. Nessa semana, o Borrego é o elemento mais importante da gastronomia dos que ali vão acampar e a hospitalidade dos Campomaiorenses sobressai como o cantar das Saias, entoadas pelas suas vozes, acompanhadas pelas pandeiretas e castanholas.
É meu dever, como mais velho, dar a conhecer aos Jovens com menos de 50 anos a razão porque se começou a comemorar a Páscoa na Enxara, é uma História que se deve a alguns Campomaiorenses de barba rija, ela aí vai: “Decorria o ano de 1960, no Tribunal de Elvas, o Juiz de Direito Dr. Patrão condenou diversos Campomaiorenses, dois em penas de prisão (José Maria Napoleão com 30 dias e Mário Serpa, conhecido pelo Papa Ratos, em 40 dias) e outros (António Camilo, Matias Batuca, Cipriano Videira, João Centeno, José Passão, Manuel Borrega, Manuel Calaça, etc.) em 1.149$00 cada um (nessa altura era muito dinheiro) pelo crime de ULTRAJE Á MORAL PÚBLICA.
Esta condenação deveu-se ao facto de na primavera de 1959, como vinha sendo habitual, alguns grupos de amigos que procuravam as margens aprazíveis do Rio Xévora (Salvador e Enxara) para petisqueiras de são convívio. A maioria desses ajuntamentos tinham lugar junto da degradada Igreja de Nossa Senhora da Enxara (que nessa altura servia de guarida ao gado de um abastado agricultor da nossa Vila), terem encenado uma Procissão (simulada), o andor era uma padiola que se encontrava no interior da Igreja e a Imagem era o Valério Fialho (felizmente ainda vivo), ainda muito jovem.
Como se vivia em clima de opressão, em pleno Salazarismo, alguém denunciou ao Cónego Francisco Farinha o sucedido e este transmitiu-o à GNR, que por sua vez iniciou um inquérito e alertou a PIDE.
A verdade é que os Jornais da época fizeram manchetes, e o Jornal do Alentejo “A Defesa” na sua primeira página, em grandes parangonas, denominava o acontecimento como “Alerta Vermelho em Campo Maior”.
O obscurantismo que Salazar impunha e a repressão a que os Portugueses estavam votados, aproveitaram a inocência e a simplicidade de dezena e meia de Campomaiorenses, tentando transformá-los em revolucionários, apodando-os de Comunistas. Quanto muito e se alguma ilação se deveria ter tomado dessa manifestação, seria uma forma de revolta pelo estado de degradação e abandono do Santuário.
Felizmente que os Campomaiorenses tiveram essa percepção e hoje pode-se afirmar, que na década de 60, por esse facto, a Igreja foi entregue à Paróquia de São João Baptista, que procedeu à sua restauração e a abriu ao culto.
É a partir daqui que a População Campomaiorense faz da Enxara o palco especial das comemorações da semana da Páscoa. A Festa em honra de Nossa Senhora da Enxara é um dos momentos mais altos da vida dos Campomaiorenses, tornando-se numa Romaria procurada por centenas de famílias que ali acampam.
Se hoje a Enxara se tornou num local aprazível, de convívio e de culto, devemos reconhecer que isso só foi possível graças à Procissão que levou um Juiz de Direito do Tribunal Judicial de Elvas, a condenar alguns Campomaiorenses por “Ultraje à Moral” e não como “Revolucionários Comunistas”. Bem-haja a esses Homens que ao cumprirem a sentença foram Pessoas de Vistas Largas.”.
Esta é a História da Romaria de Nossa Senhora da Enxara!
Siripipi-Alentejano






segunda-feira, 7 de abril de 2014


ACESSO A EDIFÍCIOS PÚBLICOS DIFICULTA DEFICIENTES
Há dias, dirigi-me a uma Repartição Pública de Campo Maior, para tratar de um assunto pessoal e verifiquei que um Senhor com dificuldades de mobilidade teve que ser ajudado para subir as escadas de acesso a essa Repartição. Fiquei apreensivo por saber que há legislação para a resolução deste problema e que aqui não tem sido aplicada.
A vida dos cidadãos portadores de deficiência ou com mobilidade reduzida torna-se por vezes difícil, para poderem ter acesso a edifícios afectos a serviços públicos de uso colectivo.
É de lamentar que em 2014, passados oito anos sobre a publicação da Lei nº. 163/2006 (Lei das Acessibilidades), continue um pouco por todo o lado, sem que esteja a ser aplicada.
Esta Lei estabelece as normas gerais e os critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência, mediante a supressão de barreiras e de obstáculos nas vias e espaços públicos, no mobiliário urbano, na construção e reforma de edifícios e nos meios de transporte e comunicação.
Campo Maior é um dos concelhos onde ainda existem barreiras que inibem esses cidadãos de se deslocarem livremente para tratar dos seus assuntos. Estão nestas condições: Câmara Municipal, Cartório Notarial, Repartição de Finanças, Tesouraria da Fazenda Pública, Biblioteca Municipal, todas as Escolas Primárias, as Igrejas da Matriz, São João e Convento.
A responsabilidade de fazer cumprir a Lei cabe às Autarquias, porque são elas que lhes compete aprovar e licenciar obras de urbanização, construção e remodelação de edifícios, contudo, o Estado também não cumpre a Lei, quando deveria ser o primeiro a dar o exemplo.
Tendo em conta que os novos projectos já são obrigados ao cumprimento da Lei das Acessibilidades, era bom que a nossa Autarquia desse o exemplo relativamente ao seu património e exigisse às restantes entidades oficiais que procedessem a adaptação urgente dos seus Serviços Públicos.
É bom salientar que nos espaços exteriores (passeios, passadeiras e residências de deficientes), a Câmara tem cumprido a legislação, o que me apraz referir, por ser uma demonstração de respeito pelos cidadãos com dificuldades de mobilidade.
A principal intenção deste post, além de ser um alerta, é também a chamada de atenção ao nosso Município para a necessidade do estudo de uma nova sinalização vertical e correcção de zonas de estacionamento em todo o Centro Histórico, dado que a maioria das Ruas são estreitas e com muitas viaturas estacionadas, o trânsito torna-se muito difícil.
A construção de Parques de Estacionamento, gratuitos e vigiados, descongestionariam o estacionamento e fluiria com mais eficácia e segurança, o trânsito de viaturas e espaços para isso não faltam.
Siripipi-Alentejano


sexta-feira, 4 de abril de 2014

CENTRO HISTÓRICO ENVELHECIDO E DEGRADADO

A riqueza de um Povo é avaliada em função da sua História e dos legados deixados pelos seus antepassados. As Povoações, através do seu Casario e Monumentos, dão-nos a conhecer o percurso que percorreram até aos dias de hoje. Cada Monumento, Igreja, Casa ou Solar permitem-nos reviver a sua História, analisando-a até ao mais ínfimo pormenor.
Campo Maior possui um vasto e riquíssimo património monumental e habitacional, basta olharmos para a sua situação geográfica e lembrarmo-nos das lutas que os seus antepassados viveram e a razão da existência de Muralhas e do Castelo, por necessidade de se defenderem dos Espanhóis, em volta do Castelo e intra-muralhas estendeu-se a Vila e construíram-se os Monumentos Religiosos.
É um orgulho para os Campomaiorenses existir tão grande património (Muralhas, Castelo, Fossos, Igreja do Mártir Santo, Convento, Matriz, São João, Misericórdia, Capela dos Ossos) alguns infelizmente em degradação progressiva, por falta de obras de manutenção e recuperação, da responsabilidade das Entidades Oficiais de que dependem.
Na verdade, a Autarquia Campomaiorense não pode e nem deve alhear-se desta situação, uma vez que tem poderes para estabelecer protocolos com as entidades públicas, na conservação, manutenção e recuperação do património das áreas classificadas, cabendo-lhes igualmente propor superiormente a classificação de imóveis considerados de interesse municipal. Existem alguns a merecerem essa designação, para memória futura como é o caso das várias Fontes que marcaram uma época e dos Tanques onde as Lavadeiras lavavam as roupas.
Em relação ao Parque Habitacional existente no Centro Histórico, é urgente que o Município faça um levantamento das habitações degradadas e de acordo com o estipulado na Lei das Autarquias Locais, proceda à notificação dos respectivos proprietários, estipulando-lhes um prazo que lhes permita proceder à sua recuperação, isentando-os das respectivas Taxas e de algumas facilidades para apresentação e aprovação dos projectos.
Existem também outros edifícios, que foram durante muitas décadas, referências da população quer por serem fontes de emprego, quer por outras actividades.
Importa ainda chamar a atenção que em matéria de Habitação, compete aos Municípios entre outras, garantir a conservação e manutenção do parque habitacional privado ou cooperativo, designadamente através da concessão de incentivos e da realização de obras coercivas de recuperação de edifícios. Podem igualmente ordenar, precedendo de vistoria, a demolição total ou parcial ou a beneficiação de construções que ameacem ruir ou constituam perigo para a saúde ou para a segurança das pessoas.
A verdade é que nestas condições existem imensos casos que merecem ser visto com a maior das urgências, veja-se o estado em que se encontra a Moagem, a antiga Fábrica do Anis Dómuz, o antigo Hospital da Misericórdia, algumas Casas da Rua Direita, dos Quartéis, da Soalheira e da Aldeia de Pastor, etc.
Uma Vila como Campo Maior, considerada e reconhecida como das mais bonitas e prósperas do Alentejo, a Terra que é a Capital do Café e onde a Primavera é num final de Agosto e recebe centenas de milhares de Turistas, não pode permitir que continue a degradar-se.
A Câmara Municipal tem que impor-se e usar as suas influências para junto do Governo tentar estabelecer um Protocolo que financie o Município (existem Programas no QREN) e exigir aos Proprietários dos Prédios em degradação que procedam à sua recuperação para bem de todos os Campomaiorenses e para dignificação da Leal e Valorosa Vila de Campo Maior.
Os Turistas que nos procuram merecem desfrutar de toda a nossa riqueza
Cultural e transmiti-la a outros possíveis visitantes, para isso é necessário um olhar atento para o vasto e riquíssimo Património que nos foi legado pelos nossos antepassados, é aqui que a Autarquia tem que exercer o seu PODER.
Siripipi-Alentejano



terça-feira, 1 de abril de 2014

VERDADES NO DIA DAS MENTIRAS

O Dia das Mentiras, segundo reza a história, comemora-se desde que em França, em meados do Século XVI, foi adoptado o Calendário Gregoriano. Dia de partidas e de mentiras inofensivas, o Dia das Mentiras, a 1 de Abril, é aproveitado por órgãos da comunicação para publicar notícias falsas.
É tradição organizar partidas ou contar mentiras a amigos, familiares e colegas de trabalho, com o objectivo de propagandear informação falsa ou comportarem-se de determinada forma.
Por se esquecerem que o dia 1 de Abril é o Dia das Mentiras, muitas pessoas acabam por acreditar em histórias que pouco ou nada têm de verídico.
Neste dia o que importa era que muitas verdades que se nos deparam pudessem ser mentiras, o que infelizmente não sucede!
Os Portugueses vivem uma crise extremamente difícil provocada pela inépcia, insensatez de um bando de incompetentes que pretendem governar-nos a mando de uma Troika insensível, usuária, ávida de milhões que nos são extorquidos pelos subservientes que os servem, infelizmente é uma verdade no dia das Mentiras!
A fome, o desemprego e a miséria que estes Senhores impõem ao nosso Povo, é ou não é uma verdade no dia das Mentiras?
É ou não é uma verdade, no dia das Mentiras, que esta acção governativa tornou os Pobres mais Pobres e os Ricos cada vez mais Ricos!
O Governo que está gerindo este País é dominado por Pessoas CEGAS porque não querem ver as manifestações reivindicativas de milhares e milhares de Portugueses e SURDAS porque não querem ouvir o que lhes têm a dizer. São insensíveis aos milhares de desempregados deste País e à emigração de mão-de-obra qualificada, cuja formação custou aos cofres do Estado milhares de milhões de Euros e que vão enriquecer os Países de acolhimento, é ou não é uma verdade no Dia das Mentiras!
Os Portugueses estão cada vez mais oprimidos pele dívida do Estado, que a pretende pagar a qualquer custo, doa a quem doer, o que é preciso é arranjar dinheiro de qualquer maneira e para isso cortam os Ordenados, Pensões e Reformas, diminui o Estado Social para que os mais necessitados sofram ainda mais, mas não deixa de injectar o nosso dinheiro nas PPP, nos Bancos Falidos e nos grandes Grupos Económicos, é ou não é uma verdade no Dia das Mentiras!
O passivo das Autarquias Locais também contribui para o agravamento das dívidas do Estado e somos igualmente nós que temos de contribuir para diminuir essas dívidas.
No final de 2012, segundo o Anuário da Direcção Geral de Administração Local, no Distrito de Portalegre, as Autarquias deviam em média, por Munícipe aos seus credores:
         Monforte……………..1.192 € por Munícipe;
         Portalegre…………….1.123 €;
         Crato…………………….1.025 €;
         Avis………………………   890 €;
         Sousel…………………    840 €;
         Nisa…………………….    749 €;
         Fronteira………………   570 €;
         Alter do Chão……….  445 €;
         Campo Maior………..    39 €;
As Câmaras Municipais de Arronches, Castelo de Vide, Elvas, Gavião, Marvão e Ponte de Sôr aparecem com endividamento nulo. Este endividamento líquido per capita mede o endividamento líquido total sobre a população residente. É mais uma verdade no Dia das Mentiras. Será que é esta a melhor forma de gerir o dinheiro dos Munícipes?
Perante tanta verdade no Dia das Mentiras resta-me regozijar-me porque o Governo, que reuniu ontem o Conselho de Ministros, deliberou na sequência de Petição Pública das Gentes de campo Maior, dar provimento ao seu pedido e determinou que os Cidadãos residentes no Mártir Santo e que não são naturais de Campo Maior, regressem às Terras onde residiam anteriormente.
Campo Maior, 1 de Abril de 2014

Siripipi-Alentejano

sábado, 22 de março de 2014

AINDA A PROPÓSITO DA INSEGURANÇA
Nos últimos dias as Televisões visitaram Campo Maior colhendo imagens e entrevistaram diversos cidadãos e compareceram na Conferência de Imprensa promovida pelo Presidente da Câmara. O motivo da sua deslocação prendeu-se com problema da insegurança e dos actos de vandalismo que Campo Maior tem vivido.
O Presidente da Câmara, através de Comunicado, distribuído pela Vila, mostrou a sua preocupação e narrou todas demarches que desenvolveu, ingloriamente, junto das Entidades Oficiais para a erradicação desta situação.
Neste comunicado, o Presidente da Câmara refere “os assaltos, as agressões, os actos de vandalismo, o ataque à propriedade pública e privada têm sido o dia-a-dia dos Campomaiorenses que se vêem obrigados a viver num constante estado de alerta e, sobretudo, a conviver com a inexplicável impunidade com que tudo isto se vai passando”, fim da citação.
A Constituição da República define os Direitos e Deveres Fundamentais que os Cidadãos gozam e os deveres a que constitucionalmente estão sujeitos (Principio da Universalidade e da Igualdade). Segundo o Princípio da Igualdade, todos os Cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei e ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, etc.
Ao citar neste meu trabalho estes dois Princípios, faço-o como suporte do que vou escrever, uma vês que está em causa a liberdade dos Campomaiorenses, a sua segurança pessoal e de seus bens.
Campo Maior já foi uma Vila segura, hospitaleira, amiga do seu amigo, por vezes mais madrasta do que Mãe, onde se vivia em paz e harmonia, não olhando para os que aqui se fixaram pela sua origem, religião, ideologia ou situação económica ou social. Todos eram bem-vindos quando contribuíam para o bem-estar desta comunidade e para o progresso da nossa Terra.
Quando a liberdade e a segurança das pessoas é posta em causa, é imperioso analisar a situação, equacionar os prós e contras e definir os objectivos para erradicar, de uma vez por todas, os autores da insegurança e do vandalismo.
Os seus autores estão identificados, todos nós sabemos quem são e onde vivem, mas as Autoridades continuam impávidas e serenas sem fazerem nada, permitindo-lhes continuarem roubando e delapidando o nosso património – Mártir Santo, Muralhas, Portas da Vila (Brasão destruído) – além dos roubos de contadores de água e destruição de diverso mobiliário urbano.
Perante esta situação, a População está a ficar extremamente saturada e a inépcia das Autoridades, a quem compete fiscalizar e actuar, poderá levá-los a fazer justiça pelas suas próprias mãos, o que não seria desejável.
É igualmente de lamentar quando a GNR prende cidadãos de etnia cigana e outros, por furtos ou actos de vandalismo, alguns antes de serem presentes a Tribunal são devolvidos à liberdade impunes por acção de alguém que lhes paga as multas, e outros merecem o mesmo tratamento por parte do Tribunal onde forem presentes.
Será que nos outros Concelhos o tratamento é igual? O que terá feito o Presidente da Câmara Municipal de Elvas para não ter problemas destes?
O nosso Presidente está muito preocupado com a situação que se vive em Campo Maior, reconheceu publicamente que os Campomaiorenses se têm tornado reféns de um clima de medo e de hostilidades inadmissíveis num Estado de Direito.
Os cidadãos de etnia cigana tal como os outros cidadãos, nos termos da Constituição, gozam dos mesmos direitos e deveres, não podendo a seu belo prazer fazerem o que querem desrespeitando os Princípios Fundamentais que a Constituição consagra, pondo em causa a segurança e a liberdade dos restantes cidadãos.
A segurança de Pessoas e Bens é um dever cometido ao Estado e um direito das Populações, e a Câmara Municipal, como Organismo de Administração Pública, na sua área geográfica, deve assumir esses deveres e competências.
O Executivo Municipal deve exercer as suas competências e usar as suas influências junto do Governo, para que os responsáveis pelo cumprimento da Lei possam proteger os Campomaiorenses sancionando todos os prevaricadores.
Siripipi-Alentejano













quarta-feira, 12 de março de 2014

CAMPO MAIOR VIVE ACTOS DE VANDALISMO
Muito já escrevi sobre a Insegurança e o Vandalismo que assola a nossa Vila, relatei casos concretos e manifestei o meu desagrado pela inépcia das Autoridades.
A segurança de Pessoas e Bens é um dever do Estado e um direito das populações, consignado na Constituição da República (nº1 do artº.27º.), face ao disposto neste artigo, cabe à Autarquia, às Autoridades e ao Conselho Municipal de Segurança preocuparem-se com os actos de marginalidade que têm sucedido diariamente.
Nesta semana, os amigos do alheio e os vândalos voltaram a actuar impiedosamente, assaltaram idosos que tinham recebido as suas reformas, incendiaram os contentores colocados junto da antiga Moagem e algumas portas, noutras zonas da Vila também danificaram mobiliário urbano e sinalização, os prejuízos foram avultados.
Há zonas mais vulneráveis que outras, as principais são a parte envolvente do Mártir Santo, os Correios em dias de pagamentos e o Jardim. Os responsáveis por grande parte destes actos são conhecidos e estão referenciados.
A maioria desses actos de vandalismo são praticados por jovens cidadãos de etnia cigana, o que nos leva a, mais uma vês, falar da necessidade da Autarquia ter que, com a maior urgência, resolver o realojamento destes Cidadãos, libertando o Mártir Santo.
Em tempos num outro trabalho que publiquei, referia que a taxa de delitos cometidos por cidadãos de etnia cigana é muito maior do que a cometida pela restante população, no entanto, deve-se salientar que nem toda essa comunidade procede de igual forma. Não devemos imputar-lhes sempre as culpas porque nem todos são indisciplinados.
Para que a insegurança acabe, as Autoridades têm o dever de zelar, como lhes compete, e não podem, nem devem permitir que estas situações aconteçam. A segurança das Pessoas e dos seus Bens são mais importantes do que passear de Jeep, quando também deveriam patrulhar a pé.
Felizmente os actos de vandalismo que tiveram lugar  mereceram uma actuação eficaz por parte da GNR e da PJ e segundo consta com resultados extremamente positivos. Como esta operação, outras deveriam continuar a ter lugar de vez em quando, o que certamente contribuiria para uma melhoria
No século passado, antes do 25 de Abril, podia-se sair de casa e deixar a porta aberta ou no trinco, o carro estacionado, voltar e encontrar tudo na mesma. Hoje a vida é diferente, a conjuntura social e económica que se vive contribuiu para que os princípios éticos de então se tenham adulterado, o desemprego, a fome, os emigrantes e alguns extractos de pobreza e exclusão social têm contribuído para que a insegurança seja uma das maiores preocupações de quem tem a responsabilidade de zelar pela segurança das Pessoas e de seus Bens.
Espera-se que a acção desenvolvidas pela GNR e PJ, as buscas e as apreensões efectuadas contribuam para colmatar o vandalismo em Campo Maior.
Campo Maior, 12 de Março de 2014

Siripipi-Alentejano

sexta-feira, 7 de março de 2014

CÃMARA ANIQUILA MAMARRACHOS DE BURRICA
Em 15 de Março de 2010, vai fazer quatro anos, escrevi um artigo que intitulei “ OS MAMARRACHOS DE CAMPO MAIOR” como forma de protesto e responsabilização do Executivo de João Burrica que procedeu à renovação de equipamentos urbanos, construindo diversos Mamarrachos que contrariaram a riqueza arquitectónica desses espaços:
1 – A beleza do Largo do Terreiro foi adulterada pela construção de uma Fonte modernista e em mármore, que nada tem a ver com a arquitectura de uma Praça do Séc. XVII;
2 – No Largo do Barata onde se situa a Casa dos Assentos e o Palácio Visconde de Olivã, destruiu a Fonte e o Chafariz para criarem mais um Mamarracho. Acresce que os Candeeiros em Bola, os Mármores e o atrofiamento da Fonte nada tinham a ver com a arquitectura que ali predominava. Como é possível um Arquitecto ter elaborado aquele Projecto? Como foi possível o IGESPAR ter deixado passar este atentado ou não terá sido consultado;
3 – Atrofiaram a entrada da Vila em frente ao Ciclo com um passeio e estacionamento em espinha, felizmente destruída pelo actual Executivo;
4 – A rotunda do Mónaco, demasiado larga, dificulta o acesso de viaturas longas e autocarros que por ali transitam. É um equipamento que deveria merecer uma melhor atenção e um novo redimensionamento.
Campo Maior é uma Vila que possui um Património arquitectónico invejável, ao longo dos tempos houve muita destruição e ultrapassaram-se esses períodos difíceis, é tempo de por cobro a estas situações e procurar que os que nos visitam levem uma boa imagem desta majestosa Vila.
Sempre que por qualquer motivo falamos da nossa Terra, o bairrismo faz-nos enaltecê-la e dizer que é a melhor de todas, mas na verdade há uma certeza indesmentível, Campo Maior é uma Terra linda e os factos históricos que aconteceram desde a sua conquista aos Muçulmanos pelo Rei de Leão e Castela em 1230, granjearam-lhe o título de “Lealdade e Valor” e de “Leal e Valorosa Vila de Campo Maior”.
Finalmente, o actual Executivo Municipal, em boa hora resolveu destruir os Mamarrachos, repondo esses espaços tal como eram antes da nefasta decisão do iluminado Executivo presidido por João Burrica.
O Terreiro já se encontra como era, o Largo do Barata para lá caminha e a pouco e pouco o actual Presidente vai dignificando a nossa bela Vila, colocando-a no lugar que merece e a que tem direito.
Campo Maior, 7 de Março de 2014
Siripipi-Alentejano



sexta-feira, 1 de novembro de 2013

GREVE É UM DIREITO CONSTITUCIONAL


Há dias a Deputada Isabel Moreira, a propósito da frase proferida por Paulo Portas (“os pobres não se manifestam”, escrevia: “pois não, são bem comportados, obedientes, comem pão e não desejam mais da vida, não participam na democracia, não sabem revoltar-se, é isto? toda uma visão que, pelos vistos para alguns, durou mais do que a ditadura”.
Os Portugueses, face às políticas implementadas pelos atuais Governantes, que cortam vencimentos, que despedem funcionários públicos, que querem acabar com o estado social, que querem privatizar a saúde e a educação, que nos conduziram para o limiar da pobreza e que nos tornaram subservientes das elites europeias, fizeram deste País de vários séculos, os parentes pobres da europa.
Os pobres são aqueles que vivem sem esperança de dias melhores e que vêm as suas famílias destroçadas por políticas insensíveis à dor das Mães ao verem os filhos partirem para a Escola sem nada para comer, ao pequeno-almoço, ao almoço e ao jantar. A angústia destas Mães faz com que todos nos morramos de tristeza.
É essa mesma tristeza que invade os homens e as mulheres que os revoltam, quando não conseguem trabalho para acorrer aos problemas de seus lares ou quando os patrões os subestimam no seu trabalho, tratando-os desumanamente à custa de parcos salários e muito trabalho.
Estes e outros problemas sociais podem e devem ser combatidos, há direitos fundamentais consignados na nossa Constituição que devem ser exercidos, como forma de luta e de reivindicação na obtenção e resolução dos seus problemas.
Os cidadãos gozam de direitos, liberdades e garantias de participação política, designadamente o direito na participação na vida pública, o direito ao trabalho, o direito à segurança no emprego, o direito de manifestação e à greve, entre outros.
A situação crítica que se vive, a recessão que nos tem sido imposta e o esbulho que vai ser incluído no Orçamento do Estado para 2014 em discussão, vai tornar a vida dos Portugueses ainda mais difícil, com mais desemprego, com os pobres a tornarem-se mais pobres e com os ricos cada vez mais ricos.
È aqui que os nossos direitos (Manifestações e Greves) devem ser implementados como forma de contradizer o que o Governo enuncia, fazendo crer que se vive em harmonia, numa perspetiva de franco progresso face aos ténues sinais da economia.
As manifestações e as greves que têm surgido são a prova de que o Povo tem voz, sentimentos, dignidade e vontade de demonstrar ao Paulinho das Feiras e seus acólitos, que estão lutando pelos seus direitos.
Todos os cidadãos têm o direito ao trabalho e incumbe ao Estado, através de planos de políticas económicas e sociais, garantir o direito ao trabalho. Quando o Estado entrar em incumprimento, o nosso dever é manifestarmo-nos ordeiramente, exercendo os direitos que nos estão consignados na Constituição, que infelizmente os Partidos do Poder pretendem esquecer para fazerem valer os seus obscuros objetivos, presente nas suas mentes “os pobres não se manifestam”.
Siripipi-Alentejano

sábado, 26 de outubro de 2013

LAVADOUROS PÚBLICOS


Sempre que vou a Badajoz e passo à Fonte das Negras, olho para o Lavadouro conhecido por Tanquinhos, com nostalgia e recordo o tempo em que as Mulheres de Campo Maior lavavam as suas roupas e as de pessoas que lhes pagavam para executar esse trabalho.
Nas décadas de cinquenta e sessenta do século passado, as donas de casa quando possuíam tanques de cimento, lavavam as suas roupas e as que não possuíam, faziam-no nos Lavadouros Público existentes em volta da Vila, nessa altura as Máquinas de Lavar estavam a dar os primeiros passos e poucos eram os que tinham meios para as adquirir.
As Mulheres desses tempos dedicavam-se às lidas da casa, à lavagem de roupas de pessoas mais abastadas e de trabalhos agrícolas nos períodos sazonais como a monda e a apanha da azeitona, era uma forma de contribuírem para o orçamento familiar.
Nesses tempos existiam os Tanquinhos da Fonte da Negras, os Lavadouros da Fonte Nova, do Rossio e o das Queimadas, procurados diariamente pelas Lavadeiras profissionais e pela restantes donas de casa. As ribeiras (Caia e Xévora) também serviam para as lavagens de roupas e terminado o período da apanha da azeitona era aí que se lavavam os panos utilizados na colheita.
Há enormíssimas histórias da vida das Lavadeiras e dizia-se que era nos lavadouros que se lavava a roupa suja e a língua, aí falava-se do que era e não era, dos amores e desamores, das infidelidades, do useiro e vezeiro. Durante a lavagem das roupas, entre uma e outra conversa havia sempre quem cantasse as SAIAS e era aí que surgiam muitas das modas novas que iam fazer furor nos Bailes.
As Lavadeiras, como outras Artes e Ofícios (Carpinteiros, Serralheiros, Ferreiros, Sapateiros, etc.), foram desaparecendo, alguns nem são lembrados e que eram nesse tempo, escolas de vida e de formação dos Jovens, hoje não há quem ensine essas profissões, nem há quem queira aprendê-las. Não havia Mestre que não tivesse um ou mais aprendizes, eram os Pais que não queriam os filhos nas lides agrícolas, que procuravam dar aos filhos uma profissão como forma de aspirarem a uma vida melhor.
Hoje, os tempos são outros, as novas tecnologias transformaram a vida das pessoas e as Lavadeiras e outros profissionais desapareceram, fruto dessa evolução, restando uma salutar recordação.
Os Lavadouros Públicos deixaram de ser utilizados e desapareceram quase todos por imperativo dessa modernidade, os Tanquinhos da Fonte das Negras estão em estado adiantado de degradação. O Município de Campo Maior tem a obrigação de o recuperar para memória futura, como forma de dar a conhecer às atuais e novas gerações como eram lavadas as roupas antes da existência das imprescindíveis Máquinas de Lavar Roupa.
Há uma atividade que desapareceu em Campo Maior que foi durante muito tempo, uma referência nacional, refiro-me à indústria do Barro (Telhas, Tijolo e Potes) que irei abordar no meu próximo post.
Siripipi-Alentejano
Campo Maior, 26 de Outubro de 2013

terça-feira, 22 de outubro de 2013

PORTUGAL PARA ONDE CAMINHAS?


Estamos vivendo um dos períodos mais difíceis da nossa vida, os nossos Políticos não se entendem e é o Povo, esse famigerado e massacrado Povo, que continua sendo espoliado e obrigado a viver oprimido e subjugado pelo papão de uma recessão, criada pelos grandes Senhores e não pelos que trabalham para poderem sobreviver.
Portugal, segundo a Transparency International (TI), passou de um paraíso da transparência, para o terceiro país mais corrupto da Europa Ocidental, oito de cada dez cidadãos sentem que a situação piorou nos últimos anos, mas hoje a população já começou a dizer basta.
No entender do (TI), as eleições Autárquicas de 29 de Setembro registaram três resultados históricos: abstenção, votos nulos e votos brancos, que poderá pronunciar um futuro diferente e com alguma efervescência social.
Os problemas atuais não são mais do que uma extensa novela em que se converteu a atualidade politica e empresarial portuguesa. Há exemplos de todas as formas, gostos e cores: caso Parque das Nações, caso ponte Vasco da Gama, caso Submarinos, caso Freeport, casos PPP, caso BPP (Banco Privado Português), caso EDP, caso Expo’98, caso Estádios Euro/2004, caso BPN. Estes casos provocaram inúmeras discussões parlamentares e acusações, mas mais do que isso, o erário público foi defraudado em milhares de milhões de euros.
São os Funcionários Públicos, os Aposentados e os Reformados, a quem vão roubar os seus salários, que vão pagar as dívidas que os iluminados dos Governos que por aqui passaram fizeram.
Todos os Partidos que compõem a Assembleia da República, da direita à esquerda, estão comprometidos e são cúmplices por muita da corrupção que graça no nosso Pais. O Governo tem demonstrado uma passividade enorme, não conseguido por cobro a toda esta corrupção e quem sofre e paga estes desvaneios é o POVO.
É imperioso que os verdadeiros culpados da situação em que se encontra Portugal sejam julgados e condenados exemplarmente, estamos na bancarrota e perante a Europa a nossa credibilidade desvaneceu-se. É necessário repor a nossa dignidade. Somos uma Nação soberana de muitos Séculos, somos um dos País mais velhos da Europa, merecemos e exigimos ser respeitados!
Há dias, no Correio da Manhã, Miguel Alexandre Ganhão (Subchefe de Redação) publicou uma crónica muito interessante e aproposito da situação atual, com o devido respeito pelo autor, passo a transcrever:
“PORQUÊ MARIA LUÍS?
Maria Luís podia dar mais? Se não quis, foi infeliz.
Mas que podia fazer Maria Luís? Podia subir os salários? Baixar os Impostos? Não era essa a diretriz. A troika definiu a matriz. Ignorou a vontade Maria Luís.
Este é o nosso fado e a nossa cicatriz…contra isto nada pode fazer Maria Luís.
Mas com menos ordenado e mais cortes nas reformas está quase a partir-se o verniz. E quando tal acontecer, o que resta Maria Luís?
Não estamos propriamente a falar de uma aprendiz, estamos a falar de uma ministra que está convencida daquilo que diz. Uma verdadeira imperatriz, atirada para a frente das depauperadas Finanças de um pobre país. É o primeiro orçamento de Maria Luís…um exercício difícil, cheio de incertezas e que ainda tem que passar pelo crivo do juiz…se passar…é por um triz, mas será de grande alivio para Maria Luís.
É aguentar, como diz o banqueiro do BPI. Aguentar até que apareça uma nova força motriz que traga alguma esperança a este país.
É a tua sina, Maria Luís. Tens de resolver este problema de raiz. Mas olha para aquele que hoje castigas, porque amanhã podes ser tu a infeliz.”
É um texto interessante, elucidativo, de espírito jocoso, que deveria merecer uma atenção especial da Ministra Maria Luís!...
Siripipi-Alentejano
Campo Maior, 22 de Outubro de 2013