segunda-feira, 7 de agosto de 2017

FEIRA DE SANTA MARIA - Uma das nossas Tradições

COMO SE APROXIMA A NOSSA FEIRA E JARDIM DE PAPEL, resolvi voltar a publicar um post que escrevi ha 5 Anos
Apropósito de TRADIÇÕES, em 23 de Agosto de 2008 escrevi um post assim intitulado e iniciei-o da seguinte forma “Perdoem-me os mais anatigos, mas no tempo da velha senhora, os governantes para manterem o Povo sereno e distraído, davam-lhes festas e transmissões de futebol (ópio do Povo) e assim mantinham-nos afastados dos problemas do dia-a-dia (a guerra do ultramar, a fome, a discriminação e uma vida de opressão) foi neste contexto que o nosso Povo optou pela emigração no intuito de terem uma melhor vida e de fugir à ditadura.
Contudo não podemos esquecer que existem Tradições que perduram no tempo, no entanto na nossa história mais recente, quando não eram religiosas, tinham uma forte vertente política e os políticos com a sua esperteza, socorriam-se dessas manifestações culturais para proveito próprio.
As manifestações festivas dos Campomaiorenses, de âmbito religioso têm lugar na Páscoa (Enxara), São Joãozinho e Feira de Santa Maria de Agosto e a pagã (Festas do Povo, das Flores ou dos Artistas), sempre que o Povo o determine.
Importa repetir e reiterar que as Festas do Povo são um símbolo vivo da cultura dos Campomaiorenses e constituem uma verdadeira enciclopédia das nossas tradições, dos nossos usos e costumes e da nossa hospitalidade. É um trabalho desinteressado feito ao longo de vários meses, é um verdadeiro trabalho de cariz comunitário, é um espetáculo genuíno da nossa cultura popular, poucos são os Povos que conseguem realizar esta tão grande magia de cor e beleza.
Em boa hora, o nosso Município pretende dar-lhes continuidade e inovar, promovendo as suas principais tradições, destacando-se a arte de trabalhar o papel, assim, nesta edição da Feira de Santa Maria de Agosto, o Município vai promover a criação do 1º Jardim Florido.
Este evento, segundo a nossa Autarquia, é uma nova demonstração de arte e carinho – um Jardim de Papel, como forma de homenagear as Festas do Povo. Importa lembrar que o atual Presidente da Câmara, Eng.º Ricardo Pinheiro, no editorial do programa da Feira de Santa Maria de Agosto de 2011, afirma, passo a citar: “Também no Jardim Municipal poderemos (re) viver as Festas do Povo de Campo Maior, com dois pequenos apontamentos de arte que tão bem carateriza os Campomaiorenses”
Este evento na minha modesta opinião encerra um repto, todavia, não quero deixar de afirmar que a riqueza de um Povo assenta em dois fatores importantes, o primeiro deriva da congregação existente entre a sua história, cultura, educação património monumental, tradições, usos e costumes, etc. o segundo das suas gentes, da sua juventude.
As Festas do Povo são um fenómeno social de cariz essencialmente popular e como tal só têm lugar se o Povo as desejar, a vontade popular é que determina a sua realização.
Para mim, a criação deste 1º. Jardim Florido, não é mais do que um repto aos Campomaiorenses para que não deixem cair no esquecimento as Festas do Povo, quem sabe se não será em 2013 a próxima edição!
Em 1994 (as últimas Festas tinham sido em 1989) como o Povo não se decidia e havia por parte dos médias e de algumas agências de viagem interesse na sua realização, a Câmara na altura presidida por Gama Guerra, depois de ter ouvido diversas entidades, resolveu dirigir uma carta a toda a população e numa ação conjunta – Escolas do Concelho, Associação de Festas e Empresas do Concelho, realizou de 4 a 10 de Julho de 1994, no Jardim Municipal, uma Minifestas do Povo, ornamentando-o para o efeito, fazendo ao mesmo tempo uma recreação das mais belas ornamentações e entradas de Festas anteriores. A deste ano será o 2º. e não o 1º Jardim Florido.
Oxalá que esta ação venha em boa hora e seja um êxito retumbante para que a próxima edição das Festas do Povo seja ima realidade.
Campo Maior, 11 de Agosto de 2012
Siripipi-Alentejano

terça-feira, 27 de setembro de 2016

terça-feira, 4 de agosto de 2015

AS FESTAS ESTÃO AÍ... Estas poderão vir a ser as últimas…
O título desta crónica poderá parecer exagerado, todavia, expressa o que eu penso face ao que se tem falado acerca da presente edição. Muitos Campomaiorenses, no seu dia-a-dia nas conversas que mantêm, afirmam que as Festas deste Ano foram forçadas e não pela livre vontade das suas Gentes.
As Festas são uma realidade pela audácia e bairrismo do seu Povo e só se realizam quando a vontade Popular o quer, é um trabalho impossível de ser realizado amiudadamente, é preciso esquecer um pouco a azáfama das últimas, para que a vontade ressurja novamente, deve-se dar tempo ao tempo, como diz o nosso Povo.
Sabe-se que a primeira edição teve lugar em 1889, já lá vão 121 anos, no século XX tiveram um interregno e ressurgiram em 1923, já se realizaram por mais de 22 vezes.
É extraordinariamente difícil descrever em palavras a sua majestosa beleza, trata-se de um espectáculo genuíno da nossa Cultura Popular, poucos é os Povos que conseguem realizar esta tão grande magia de cor e de beleza, e daí, quem sabe, ser esta nossa forma de estar em sociedade fruto de saber viver a vida: de ligar os sentimentos; de ultrapassar as vicissitudes da Vida; de estimar os que nascem próximos e abriram os olhos para os mesmo projectos; para as mesmas encruzilhadas; para o mesmo desespero de viver. É assim que são as nossas Gentes…
O meu texto pretende alertar para uma realidade que poderá levar ao términos dos valores morais da nossa Cultura Popular, porque alguém se lembrou de as comercializar, tornando-as num espectáculo cujo interesse principal é o Dinheiro, esquecendo-se que o Povo não gosta de ser instrumentalizado, impondo-lhes a sua realização, acenando-lhes com pagamento de salários para que as decorações sejam confeccionadas.
As Festas passam a perder qualidade, os Visitantes que nos procuram passam a ter que pagar um ingresso na Vila (4,00 €/dia) demasiadamente caro e que vão afastar milhares e milhares de Visitantes, além de ser um acto ILEGAL por falta de legislação que permita essa cobrança e sendo legal estaria igualmente sujeita a IVA Só os Municípios como Organismos de Administração Pública é que têm competência Fiscal (Taxas e Licenças) e nunca uma Associação.
Vamos ter umas Festas menos concorridas, com menos Ruas (troços) de menos qualidade e onde vai faltar o amor que a maioria das Pessoas davam noutras edições e onde o dinheiro sendo pouco, dava para muito e a criatividade imperava.
Festas SIM, nas SEMPRE quando o POVO quer.
Em todas os Municípios do País, nas Sedes ou nas Freguesias, realizam-se Festas Anuais e são as Autarquias que as financiam as Associações, porque cada uma delas produz altos rendimentos que são aplicados a favor das Populações, na maioria há bilhetes de ingressos porque os recintos da Festa são fechados e com excelentes programas musicais.
O Comércio e a População Local irão certamente retirar os seus dividendos, todavia, há que também haver cuidado com os exageros nos preços dos produtos (Bebidas e Restauração) a Fiscalização deve ser exercida para bem de quem nos visita e de todos nós.
Nas nossas Festas mostramos o que de mais puro os Camponeses têm, a sua Cultura e os seus Usos e Costumes e todos são recebidos com alegria ao sabor das nossas SAIAS.
Torna-se necessário, que a Entidade Organizadora, dê a conhecer quanto vão custar as Festas do Povo, para memória futura dos Campomaiorenses.
Siripipi-Alentejano (texto em Port. Antigo)
Campo Maior, 4 de Agosto de 2015                                        

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segunda-feira, 8 de junho de 2015

ALENTEJO TANTA TERRA ABANDONADA
Ao ouvir uma interpretação de Dulce Pontes relacionada com o nosso Alentejo, suou-me como uma pulga nos ouvidos e deixou-me a pensar nessa infeliz verdade.
É uma infeliz verdade porque continuamos a viver em crise, porque diariamente somos confrontados na Comunicação Social, com conflitos Sociais, com narrativas da vida de miséria que existe e da fome que se vai arrastando e que se tornou numa pandemia, enquanto o nosso Governo diz que estamos crescendo, que vai havendo menos desemprego, que estamos no bom caminho!
Como é possível que estes Senhores nos queiram meter Lisboa pelos olhos, quando a realidade é outra, nos meus 70 anos de vida, só nos anos anteriores ao Abril de 74 é que me recorda a miséria em que vivia o nosso Povo, vivia-se com salários de miséria, com fome em condições desumanas e sem acesso à Educação e Cultura, vivia-se encostado a uma parede manietados por um Regime Ditatorial que os inibia de procurar outra forma de vida, senão a de irem para a Guerra ou servirem os Senhores da Terra.
A Terra que existia nesses tempos, é a mesma que hoje continua a existir, mas com uma nuance bastante diferente, antigamente o campo produzia cereais à base da força humana e de muares, porque a tecnologia ainda estava a dar os primeiros passos, mas hoje com todas as descobertas que foram feitas, a principal das descobertas, além das Maquinarias, foi a SUBSIDIO-DEPENDÊNCIA, os campos passaram a ser povoados de Gado, em que a mão-de-obra é diminuta e os Lucros são suficientes para viverem vidas de Lordes.
Quem percorrer o nosso Distrito, basta de Campo Maior a Portalegre (48 Km) não encontra um palmo de Terra cultivado, o que vê, Montado e Gado e mais nada, todavia, nós ainda possuímos alguma cultura arvense, é o Olival e Fruticultura que dá algum rendimento e absorve alguma mão-de-obra, esta também já não tem o mesmo número de Trabalhadores porque a Maquinaria contribuiu e de que maneira, para a sua diminuição, por um lado quem veio a beneficiar desses trabalhadores foram as Industrias que se fixaram e se desenvolveram.
Pegando de novo no tema “ALENTEJO TANTA TERRA ABANDONADA” é urgente por estarmos perto de um novo período Eleitoral, alertar as Forças Politicas para a necessidade de analisarem esta situação e com os Fundos Comunitários existentes, elaborarem projectos de candidatura para REJUVENESCER A AGRICULTURA, criando e apelando aos Jovens para se dedicarem de novo à produção Agrícola como forma de se combater a crise que assola o País.
É uma aposta que o Governo tem que ter em conta, o País precisa de deixar de produzir para uma economia de subsistência, tem que produzir bem em quantidade e qualidade para que a Economia se desenvolva. É necessário Agricultores Jovens e de vistas largas que saibam analisar as necessidades e os produtos que devem produzir e que tenham mercado na Europa.
Há uma dádiva que nos foi legada – CLIMA – que deve ser aproveitado porque se pode produzir produtos antes de tempo, é necessário uma política de solos para que se possa produzir o que é rentável e que se aplique à qualidade dos nossos terrenos, igualmente se deve pugnar por criar pontos de armazenamento e de frio para conservação, a criação de Cooperativas, como se faz na nossa vizinha Espanha, seria uma das vertentes a ter em conta.
Portugal não pode permitir que o ALENTEJO TANHA TANTA TERRA ABANDONADA, OS Políticos devem sair dos seus Gabinetes, visitarem o Alentejo reunindo com as Forças vivas e discutirem olhos nos olhos esta triste realidade.
Siripipi-Alentejano

Campo Maior, 8 de Junho de 2015

quinta-feira, 4 de junho de 2015

O MUNDO EM QUE VIVEMOS
Hoje apetece-me falar de Trocas e Baltrocas, uma vez que vivemos num Mundo conturbado, onde a célebre frase do Dr. Pimenta Machado (Ex-Presidente do Vitória de Guimarães) “O QUE HOJE É VERDADE, AMANHÃ É MENTIRA” tem um significado especial e aplica-se, que nem uma Luva, à Política, ao Futebol, a tudo o que é Desporto e à vida de cada um de nós, quando está em causa esse vil metal a que chamaram dinheiro.
Importa questionar o que seríamos nós sem dinheiro? Como é que os Poderosos poderiam viver? Como é que eles manobrariam os mais Pobres? Na verdade, sem ele, talvez houvesse mais igualdade, mais compreensão, enfim, mais Justiça, Harmonia e as Trocas Baldrocas teriam outro nome e outro cariz.
Na Política tudo vale, o espírito da Democracia diluiu-se e os seus Profissionais, depois de toda a propaganda e de todas as promessas que fizeram ao Zé Povinho, quando eleitos e se sentam na cadeira do Poder, esquecem-se de quem os elegeu, do que prometeram e só fazem o que lhes apetece e que sirva para o seu bem-estar.
Sentados nas poltronas da Assembleia, das Câmaras Municipais, dos Institutos, Fundações e Governo, com as mordomias que lhes são conferidas, esquecem-se que também são Povo e que têm obrigações a cumprir.
Hoje os Políticos já não merecem a consideração que lhes era cometida, a sua acção ao longo dos anos tem contribuído para que tenham caído em desgraça e hoje, os que os elegeram, já não acreditam neles e chamam-lhes MENTISOSOS com todas as suas letras, basta ver os Noticiários e forma como são recebidos pelas Populações nas suas deslocações pelo País, onde pretendem vender a Banha da Cobra como se fazia antigamente nas Feiras. Os seus discursos são a expressão do que afirmo, prometem, prometem, mas nunca cumprem.
As eleições estão à porta, os arautos da Política e seus Delfins vão aparecer por aí e como um acto de pura magia querem iludir o Zé Povinho com falsas promessas, para depois nos darem as machadas nas Pensões, nas Reforma, na Educação e na Saúde. É bom termos em conta o que dizem os mais velhos “ Quando a esmola é muita, o Pobre desconfia”.
Os Portugueses devem manter-se atentos a esses ALDRABÕES SIMPÁTICOS, às suas palavras, aos seus sorrisos e pancadinhas nas costas, devem ouvir e depois decidirem em consciência,
Mudando de tema, mas também polémico, é o período que atravessamos com as TROCAS E BALTROCAS do nosso Futebol, com as transferências de Treinadores e Jogadores, movimentando-se Milhares de Milhões de Euros num País onde há centenas de milhares de Desempregados, onde há Fome e onde há crianças que vão para a Escola sem terem nada para comer! Que País é este? Porque é que os nossos Governantes e os de todo o Mundo não legislam sobre este tema criando plafonds na aquisição e nas transferências? É um crime ganhar-se tanto dinheiro por se dar pontapés na Bola! É igualmente frustrante ver esses Futebolistas, a maioria provenientes de gente pobre, ostentar a sua riqueza com viaturas de alta gama e esbanjarem dinheiro, alguns por vezes, esquecendo-se do futuro.
As Finanças estarão a cumprir a sua obrigação na cobrança de Impostos a estes novos-ricos? Estarão por ventura numa lista VIP?
É este o Mundo em que vivemos, é um Mundo de contrastes, de assimetrias, onde os que têm muito cada vez vão tendo mais e os Pobres cada vez vão sendo mais Pobres e vão desesperando perante tais desigualdades.
Na verdade todos gostamos de Futebol, mas a realidade que estamos a viver com o valor das transferências, fizeram-me meditar e expressar aqui a minha tristeza e revolta, como é possível um Treinador ou um Jogador ganhar tanto dinheiro, Milhões de Euros Anuais, quando o Salário mínimo Nacional ainda não chega aos quinhentos Euros!
Haja quem ponha mão nesta barbárie, neste Mundo Cão!
Siripipi-Alentejano
Campo Maior, 6 de Junho de 2015

   



quinta-feira, 28 de maio de 2015

FESTAS DO POVO 2015
QUE FESTAS IREMOS TER? COMO É QUE VÃO SER? E QUANTO VÃO CUSTAR?

Campo Maior volta de novo, passados quatro anos, com mais uma edição das Festas do Povo ou das Flores como queiram chamar. A magia do nosso Povo vai de novo fazer brilhar os olhos dos milhares e milhares de visitantes que procuram este recanto Alentejano. Campo Maior transforma-se num Jardim Florido, é um acto de malabarismo que só os Campomaiorenses conseguem executar.
As Festas do Povo são um espectáculo genuíno da nossa Cultura Popular, poucos são os Povos que conseguem realizar esta grande magia de cor e beleza, daí, quem sabe, esta nossa forma de entender o dia-a-dia, de saborear a vida, de ligar os sentimentos, de estimar os que nascem junto de nós e abriram os olhos para comungarem os mesmos projectos, as mesmas encruzilhadas, o mesmo desespero de viver encostado a uma porta que estava fechada, mas que em 22 de Agosto se irá abrir ao Mundo com uma vontade enorme de mostrar a sua realidade e do que somos capazes de fazer.
É bom não esquecermos que a História de um Povo é fruto das suas Tradições, dos seus Usos e Costumes e da sua História, esta é-nos transmitida através de fontes orais, documentais e monumentais, as Festas do Povo são uma Tradição Secular que herdamos dos nossos antepassados e que não podemos perder, é um dever de todos os Campomaiorenses preservá-la e de lhe dar continuidade.
A realização de um Evento desta natureza acarreta custos elevados, difíceis de quantificar, na maioria das vezes desconhecido da População, mas que por magia e esforço da Associação vão surgindo para acorrerem às despesas, todavia, há um custo impossível de saber o real valor – a mão-de-obra da população que ao longo de meses e ao serão, depois de um dia exausto de trabalho, confeccionam essas maravilhosas ornamentações.
Este ano, a Associação das Festas, resolveu cobrar um Bilhete de entrada aos Visitantes como forma de amenizar os seus custos e garantir receitas para um futuro. Eu pessoalmente concordo, todavia, há os que discordam da cobrança de um Bilhete e ainda há os acham que o valor deveria ser outro! Em 2 de Setembro de 2010 num artigo que intitulei de “COMO VIABILIZAR AS FESTAS DO POVO” EU SUGERIA QUE FOSSE COBRADO 1 Euro como forma de ajuda, o que para um espectáculo desta qualidade essa importância era irrisória e pouco significava aos bolsos dos visitantes, não é menos verdade que vai ser extremamente difícil por em prática este sistema, independentemente do seu valor e da necessidade de haver Pessoas Idóneas ou Empresas que se encarreguem dessa cobrança, alguns não vão aceitar e até vão barafustar.
A ideia tem pernas para andar, contudo como referi anteriormente, os 4 Euros são um valor que é contestado por muitos Campomaiorenses.
As Festas estão aí, é necessário que o Povo dê o seu melhor e que este evento possa vir a ser considerado património imaterial da Unesco, o que seria para os Campomaiorenses uma nova Divisa a acrescentar à LEAL E VALOROSA VILA DE CAMPO MAIOR.
Hoje, um pouco por todo o lado, há eventos que nos querem imitar, mas sem lhes tirar o valor, as nossas Festas são as Originais e deveríamos pugnar para que acabem com as Imitações.
Em Agosto somos o espelho da Europa e além da Capital do Café, somos a Capital das Flores, a única Terra da Europa e quiçá do Mundo em que a Primavera é em Agosto.
Campo Maior, 28 de Maio de 2015
Siripipi-alentejano




domingo, 21 de dezembro de 2014

 NATAL DE ONTEM E DE HOJE
Ao falar-se do Natal, somos obrigados a meditar profundamente sobre o que ele deveria significar para a Humanidade. Natal deveria significar Paz, Amor, Liberdade, Igualdade, Fraternidade, o que neste Mundo conturbado não vai tendo lugar.
  Natal deveria ser um raio de luz que iluminasse intensamente todos os Povos do Mundo e que a chama de Natal abraçasse sem preconceitos todos os que são crentes ou não crentes no Deus Menino, usassem o que significa, como uma Mensagem do que de mais belo exista em benefício de todos os seres humanos, esquecendo os seus erros e a sua ambição desmedida.
Natal é Paz, é a altura ideal para que todos, mas todos, contribuíssemos para acabar com as desigualdades, com a fome, com a guerra, de forma a erradicar as assimetrias existentes.
Em cada Terra, em cada Lar, comemora-se o Natal e cada um vive-o à sua maneira, com os seus usos e costumes, com as suas tradições, mas no fundo com o mesmo sentimento e intenção, independentemente da sua condição económica, é a Festa da Família.
Noutros tempos, a chaminé de cada casa era a ribalta e aí, velhos e novos entoavam cânticos de Natal, hoje as chaminés caíram em desuso, mas os cânticos de Natal surgem de outras formas e em qualquer lugar, na Missa do Galo ou junto a um Presépio e ate nas Ruas, o Povo, esse bom Povo, não se inibe de cantar as suas populares canções de Natal
Recordo com saudade, na minha juventude, após a Missa do Galo, durante toda  noite, percorrermos a Vila cantando ao Deus Menino e degustando e bebendo o que nos era oferecido. Saudades e quão bom é Recordar!
Neste Natal seria tão bom que pudéssemos alegremente manifestar um pensamento de bem-estar e harmonia entre os Homens e que esse pensamento fosse para todos um bálsamo e que a Mensagem de Paz e Amor entrasse em todos os Lares. Que as Crianças, as que mais intensamente vivem este Dia lhes fique para sempre, gravada nas suas memórias, a grande lição que é a sua génese – o nascimento de Jesus.
A todos os meus Amigos e seguidores do meu Siripipi-Alentejano e Face Book, aos chibernautas de todo o Mundop, deixo aqqui os meus votos de Feliz e Santo Natal, não esquecendo os que porventura não possam estar em Família.
A ti, doente, cujo sofrimento te obriga a estar ni leito, desejo que esta época Natalícia te traga as tão ansiadas melhoras………..FELIZ Natal;
A ti, médico, enfermeiro, auxiliar, que no teu sacerdócio tens que tratar e amenizar os que sofrem e não podes estyar junto dos teus……..FELIZ NATAL;
A ti, operário, trabalhador, que com teu labor produzes e enriqueces a economia do País………..          FELIZ NATAL;
A ti, militar, bombeiro, policia, guarda, que zelas permanentemente pela nossa segurança e ordem………..FELIZ NATA;
A ri, professor, estudante, esteio do futuro do País e das novas gerações………..FELIZ NATAL;
A ti, agricultor, que com o teu suor cultivas a terra e produzes o pão que ameniza a fome………….FELIZ NATAL;
A ti, mulher e mãe, que com a azáfama do teu lar, que comn a tua doçura e copreensão educas os filhos, o meu bem- haja e……FELIZ NATAL;
A ti, emigrante, que ao deixares o teu País te tornaste no cavaleiro da saudade e da esperança e que com o teu trabalho ajudas à dignificação de Portugal………FELIZ NATAL;
A TI, governantes, políticos e responsáveis pela condução de Portugal, exigimos que governem de forma a contribuírem para o bm estar dos Portugueses…………FELIZ NATAL,
Finalmente, para todos os que nesta época não têm um abrigo ou que estejam presos e que lhes falte o conforto do Lar ou da Família……………FELIZ NATAL.
Campo Maior, 21 de Dezembro de 2014
Siripipi-Alentejano


sábado, 1 de novembro de 2014

1 DE NOVEMBRO – DIA DOS FIEIS DEFUNTOS
No Mundo Católico celebra-se hoje o Dia de Todos os Santos e é cada vez mais considerado como o Dia dos Fieis Defuntos.
O Povo aproveita o Feriado para lembrar os familiares que já morreram homenageando-os um pouco por todo o Mundo, de formas muito diferentes e de acordo com a Religião que praticam.
O primeiro dia de Novembro é marcado pela ida de milhares de portugueses aos cemitérios, que nesta altura estão especialmente enfeitados. Estas visitas têm tendência a acontecer no dia anterior ao definido pela Igreja, muito por culpa da força popular, que sente necessidade de limpar e ornamentar a última morada de seus Entes queridos, para que tudo esteja a seu gosto no dia de Todos os Santos.
Assim, é cada vez mais comum celebrar-se o Dia dos Fieis Defuntos no Dia de Todos os Santos.
Houve um Teólogo que disse que este fenómeno pode ser explicado simplesmente pelo facto de o dia 1 de Novembro (Dia de Todos os Santos) ser feriado e o dia 2 (Dia de Finados), não, todavia, há uma explicação, na sua opinião, mais espiritual. “A voz do Povo é a voz de Deus e se calhar muitos dos nossos defuntos podem ser também celebrados no Dia de Todos os Santos”.
O Religioso que proferiu esta ideia, vai ainda mais longe e acredita que como “Deus escreve direito por linhas tortas”, esta mistura popular dos dois dias pode fazer-nos crer e levar a pensar que se calhar não são datas assim tão diferentes.
Uma coisa parece certa, os Portugueses dão um significado mais especial ao Dia de Finados que à celebração de Todos os Santos. Talvez porque esta é uma data em que “particularmente se recordam os amigos e familiares que se encontram a caminho da comunhão com Deus”. A proximidade das pessoas aos seus defuntos aumenta o significado desta data, em relação à celebração de Santos que são desconhecidos.
A homenagem aos mortos é um acontecimento global e é vivido de diferentes formas um pouco por todo o Mundo. Há Países onde este dia é uma festa bastante divertida, enquanto aqui tem um pendor mais triste e saudoso.
A Igreja Católica não esquece, que o dia 1 de Novembro é dedicado a Todos os Santos, ou seja, àqueles que não tendo um dia consagrado para a sua celebração são assim adorados em conjunto.
Além do carácter espiritual, estes dias são também aguardados pelos comerciantes que vêem os seus lucros aumentar, devido à devoção dos católicos.
Os tempos vão mudando, o culto dos nossos defuntos também vai sofrendo algumas mutações e estas prendem-se com a cremação dos corpos, o que afasta fisicamente as pessoas de orarem e visitares as sepulturas de seus entes queridos
Ao longo dos séculos que a arte fúnebre vai evoluindo, a cremação utilizada há séculos (conhecidas por Piras), as Mumificações, deram lugar a outras artes fúnebres e hoje voltou-se à cremação como forma de não proliferação e aumento dos cemitérios com a ocupação de mais espaços.
Mas, apesar de tudo, nestes dias voltamos a lembrar todos os que nos foram queridos e que, por força do destino nos deixaram para sempre, mas em nós e até irmos ao seu encontro, continuaremos a lembrá-los e a adorá-los neste Dia 1 de Novembro de cada ano.
Eterno descanso e Paz à Alma de todos os que partiram.
Siripipi-Alentejano
Campo Maior, 1 de Novembro de 2014



terça-feira, 21 de outubro de 2014

RECORDAR COM SAUDADE
Por vezes vejo-me meditando em episódios da vida, factos ocorridos que nos deixaram com alguma nostalgia, mas que ao lembrá-los nos transportam para esses tempos, como se estivessem agora a acontecer.
São esses rasgos de memória, de tempos que já não voltam, que modificaram a vida das Pessoas, da Sociedade onde estamos inseridos, que transformaram o País num gueto onde impera a Lei do mais forte e o desrespeito pela forma de viver das Pessoas.
Os últimos cinquenta anos do século XX da vida de Campo Maior são um exemplo das várias alternâncias por que passamos, designadamente nas áreas sociais, agrícola, industriais e até políticas.
A transformação advinda da Revolução dos Cravos e o estabelecimento de um regime Democrático  contribuiu para a evolução e modernização de todos os sectores da vida.
A Agricultura sendo a maior fonte de trabalho, eram ainda incipiente, pouco desenvolvida tecnicamente, limitando-se à produção de cereais, azeitona e mais tarde com o regadio começaram a surgir outras produções. A maioria do trabalho era executado pelas alfaias agrícolas puxadas pelas muares e na época sazonal as ceifas e a apanha estavam a cargo dos agricultores.
A Maquinaria e equipamentos industriais afectos começaram a surgir nos anos sessenta e com o seu aparecimento e evolução tecnológica, contribuíram para o desaparecimento das juntas de muares e a vida nos Montes para os Ganhões, também diminuiu, tal como as migrações dos Ratinhos nas Ceifas e na Azeitona.
A vida era pacata no dia-a-dia, mas aos fins-de-semana com a vinda do Pessoal dos Montes a vida agitava-se (hoje já não há gente nos Montes e a maioria estão degradados), as Tabernas enchiam-se e à noite bailava-se e cantavam-se as Saias em Cocheiras ou nos Largos. A Azáfama no campo era uma actividade dura e mal paga, trabalhava-se se Sol a Sol (o 25 de Abril alterou esta situação), mas no final das campanhas – Monda, Ceifa, Azeitona, era pretexto para Bailaricos e outros Festejos.
Antes do aparecimento das Ceifeiras Debulhadeiras, os cereais eram debulhados em diversas Eiras, a maior era a do Rossio e aí os pequenos proprietários debulhavam os cereais com as muares ou à Máquina, pagando uma maquia.
No período da Azeitona eram imensos os ranchos para a sua apanha, os Lagares trabalhavam de dia e de noite, alguns deles até Fevereiro para moerem as milhares de Toneladas que se colhiam, dos muitos Lagares que existiam, hoje já não existe nenhum e o se os há são particulares para utilização própria.
Actualmente tudo o que anteriormente narrei passou a ser História, a Azeitona que se colhe é adquirida por Industriais e transformada noutras zonas, a que resta é levada para Espanha e ainda há quem não a colha porque não é rentável face aos preços que se pratica na apanha ou na compra.
As Searas de Trigo, Cevada, Aveia, Grão-de-Bico deixaram de se fazer, o que existe são manadas de Vacas, rebanhos de Ovelhas metidos em aramados onde basta só uma pessoa para os guardar e o subsídio dás-lhes uma maior valia económica.
Tal como Camões dizia “Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades” a vida de Campo Maior e dos Campomaiorenses, nesses últimos cinquenta anos do século passado, deu um salto abismal pela as evoluções que se verificaram.
A Agricultura modernizou-se por força dos novos equipamentos que foram surgindo, essa evolução fez diminuir a mão-de-obra, o que foi mau num sentido, todavia, a mecanização formou especialistas, trouxe novas actividades e criou algumas industrias transformadoras, com a consequente inserção desses Trabalhadores.
Para a História ficam como recordação as Alfaias que eram utilizadas, as Carroças e os usos e costumes que vão perdurar no tempo e na memória de cada um.
A vida dos Povos é como uma manta de retalhos, constrói-se cozendo e unindo cada bocado das nossas recordações.
Siripipi-Alentejano

Campo Maior, 21 de Outubro de 2014

domingo, 12 de outubro de 2014

AUTARCAS – O CUSTO DAS FACILIDADES
Há dias a comunicação social dava a conhecer que o Presidente da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, tinha sido condenado a três anos de prisão, com pena suspensa e perda de Mandato e impedimento de se candidatar a novos cargos, mas sem efeitos imediatos.
No mesmo processo, foi igualmente condenado a um ano e meio de prisão e a pagar uma indemnização ao Município, um proprietário por ter construído uma Moradia numa propriedade agrícola, em vez de um armazém agrícola.
Se a decisão Judicial fosse imediatamente aplicada o Presidente da Autarquia perderia o actual mandato e estaria impedido de se candidatar a qualquer cargo político nos próximos quatro anos.
Como este, há em todo o País, casos idênticos de desrespeito pelas normas existentes nos PDM - Plano Director Municipal, nomeadamente nas áreas afectas à Reserva Agrícola Nacional e Ecológicas, que impõem regras especiais para construção de Edificações.
A proliferação de construções em áreas afectas a outras actividades, levou o Governo à aprovação de PROT - Programa Regional de Ordenamento para as diversas Regiões, com a finalidade de acabar com os abusos, já que as situações existentes, na maioria do casos, eram ilegais e clandestinas.
O nosso Concelho é um dos que possui mais situações de construções ilegais, fruto da aquisição de propriedades por cidadãos de nacionalidade Espanhola, para segunda habitação ou de lazer. Muitas delas nem estavam licenciadas e eram construídas clandestinamente, facto que irá dificultar a sua legalização e até poderão ver as suas casas demolidas por via litigiosa.
Em Agosto de 2010, o Conselho de Ministros aprovou a Resolução nº 53/2010 – PROT-Alentejo (Plano Regional de Ordenamento do Território do Alentejo, esta resolução torna-se num instrumento de desenvolvimento territorial e afirma o Alentejo como território sustentável e de forte identidade regional, sustentada por um sistema urbano policentrico, garantindo adequados níveis de coesão territorial e integração reforçada com outros espaços nacionais e internacionais, valorizando o seu posicionamento geoestratégico.
O Programa define quatro grandes opções estratégicas de base Territorial para o desenvolvimento Regional do Alentejo, de todas a que mais interessa para o tema em apreciação, é a que diz respeito ao solo rural e é aqui que surgem algumas imposições. No preâmbulo desta Resolução, passo a citar: “Finalmente, o solo rural, assumindo-o como suporte das actividades directamente relacionadas com o aproveitamento agrícola, pecuário e florestal ou de recursos geológicos, regendo-se por princípios gerais de contenção da edificação isolada e do parcelamento da propriedade, pela racionalização das infra-estruturas e pelo  fomento à reabilitação do existente”.
Relativamente à construção de habitação em solo rural, o PROT, determina que são incompatíveis as disposições contidas constantes dos Planos Directores Municipais que admitam construções de edificações dispersas ou isoladas destinadas à habitação em solo rural se a área mínima do prédio não for igual ou superior a 4 Ha e são igualmente fixadas as áreas máximas de construção, número de pisos e estabelece ainda que os prédios que constituem a exploração em que se localiza a edificação são algumas situações aí tipificadas.
O principal objectivo da Resolução vem por termo ao desordenamento que se tem verificado com o solo rural na maioria dos Concelhos, os PDM já contêm a maioria destas regras, todavia, por falta de fiscalização competente ou por inépcia dos serviços técnicos e do beneplácito de alguns Executivos, as construções foram surgindo, umas legais outras, a maioria ilegais, construídas sem projectos ou qualquer licença.
Existem centenas de construções, veja-se o que se passa na Godinha, Tagarral, Vale de Aroeiras, Figueira, Meia Légua, etc., construídas à margem das regras contidas no PDM.
O espírito desta Resolução assenta no princípio de que no solo rural não são admitidas novas edificações que possam conduzir a padrões de ocupação dispersa, sendo a edificação em solo rural excepcional e apenas admissível quando necessária para suporte de actividades económicas associadas à valorização dos recursos naturais, culturais e paisagísticos e à multifuncionalidade dos espaços rurais.
Estes condicionamentos vão proibir a construção de edificações em propriedades com áreas inferiores às definidas, ou seja  4 ha
Tal como comecei, vou terminar, os Autarcas do Alentejo devem determinar aos seus serviços técnicos e de fiscalização que tenham em conta o preceituado na Resolução referida, para que não possam ficar sujeitos às penalizações pelo incumprimento dos normativos do PROT-Alentejo e dos PDM.
O exemplo de Macedo de Cavaleiros e de outros Autarcas que prevaricaram consciente ou inconscientemente, devem servir-lhes como um ensinamento a terem em conta, não vão Diabo torcer-lhes o rabo.
Siripipi-Alentejano

Campo Maior, 12 de Outubro de 2014

terça-feira, 7 de outubro de 2014

MUNICIPIO DE CAMPO MAIOR
PREPARA ORÇAMENTO PARTICIPATIVO

O Orçamentos Participativo tem sido uma prática de algumas dezenas de Municípios, iniciada no mandato anterior ao que está decorrendo, mas que não tem enquadramento legal nacional. Os Municípios estão a contornar a situação criando regulamentos municipais específicos, porque têm toda a liberdade para ouvir os seus munícipes e as propostas que apresentam e depois assumir essas propostas no orçamento a elaborar.
O Orçamento Participativo é uma prática que permite aos cidadãos de um Município participarem activamente no processo de decisão dos investimentos públicos municipais.
Assim o Orçamento na sua elaboração passa, deste modo, a ser partilhado pelos munícipes que são convidados a participar sobre a definição de prioridades, nas mais diversas áreas, como por exemplo: equipamentos sociais; projectos escolares; ordenamento do território, vias de comunicação, entre outras.
Isto demonstra que se trata de um compromisso político maior. O regulamento a elaborar tem que vincular de acordo com as regras, uma maior transparência sobre todo o processo. Importa perguntar, é se isto pode ou não ser uma política pública? Vai ou não o Governo dar atenção a este assunto e colocá-lo na sua agenda também como uma prioridade? Há ou não uma estratégia nacional para recuperar a confiança dos cidadãos? E o Orçamento Participativo é uma porta para chegar aí? Sozinho não se faz, mas é uma porta!
Um estudo publicado recentemente afirma, que os cidadãos ajudaram a decidir na última década o destino de aproximadamente de 40 milhões de euros em Orçamentos Participativos co-decisórios, Entre 2002 e 2013 existiram 77 OP em igual número de Autarquias, dos quais 46 de nível municipal (Campo Maior incluído), 19 promovidos por Juntas de Freguesia.
Em 2013 encontravam-se activas apenas 17 iniciativas do género, um número mesmo assim considerado “significativo”, porque normalmente nos anos de eleições os OP são suspensos. Esta análise revela que Portugal se destaca como um dos Países Europeus com mais alta densidade de OP.
O nosso Município vai retomar esta prática e já agendou duas reuniões convidando os Munícipes de Degolados numa primeira reunião e os de Campo Maior numa segunda reunião a ter lugar no Centro Cultural para se pronunciarem, discutir e definirem prioridades para o OP de 2015.
A atitude deste Executivo é a maneira mais correcta de aplicar um mecanismo de democracia participativa em que o contributo de cada um é essencial para o futuro de Campo Maior.
As dificuldades financeiras e a crise que vivemos leva-nos a crer que, tal como em nossa casa, também a Câmara precisa de gerir o seu orçamento, controlar a despesas, rentabilizar muito bem os seus recursos financeiros, sempre muito limitados, fazer face às necessidades mais prementes num Concelho em crescimento, fazendo os melhores investimentos, com uma gestão rigorosa, em prol do desenvolvimento.
É preciso que haja adesão por parte da nossa população e que surjam ideias inovadoras que possam ser aproveitadas, todavia, não se poderá deixar de ter em conta a necessidade de respeitar a Lei dos Compromissos, ou seja, sem dinheiro disponível, o investimento não pode arrancar.
O Orçamento de um Município é um documento fundamental e vital para a vida de um Município. Os Campomaiorenses esperam que o orçamento que vier a ser elaborado e aprovado tenha um bom grau de execução.
Siripipi-Alentejano
Campo Maior, 7 de Outubro de 2014


sábado, 4 de outubro de 2014

MALTESES E PSEUDO-BURGUESES
Nos anos cinquenta e sessenta do século passado, muito anos antes da Democracia, o País vivia com muitas dificuldades pela força opressiva dos governos de Salazar e seus acólitos. A Ditadura impunha e defendia a existência de três Classes Sociais, os Pobres que eram a esmagadora maioria, os Remediados que constituíam a classe Média e era formada pelos pequenos proprietário, comerciantes, oficiais de diversas actividades e finalmente os Ricos, ou seja, os senhores da terra, do dinheiro, enfim, os privilegiados ou nascidos em berços de ouro.
Liberdade era palavra vã, não existia e nem era permitido o direito de reunião e quem prevaricasse, era ouvido pelas Autoridades e presente a Tribunais Sumários, para depois de julgados serem presos e alguns desterrados para as antigas Colónias.
A vida dos Portugueses, num Portugal subdesenvolvido, sem indústria e com uma agricultura primária e insípida, imperava o desemprego e as suas necessidades eram cada vez maiores, dando lugar à miséria e à fome.
A Educação e a Saúde eram igualmente áreas deficitárias e pouco desenvolvidas, Escolas e Hospitais inexistentes ou sem condições para darem resposta às necessidades mais prementes das Populações do interior, o que não sucedia nas Vilas e Cidades mais populosas.
A maioria dos Portugueses eram analfabetos e incultos, poucos poderiam aspirar ao ensino secundário ou superior por falta de meios e pela inexistência de Estabelecimentos de Ensino, só os ricos ou os que os Pais tinham possibilidades mandavam seus filhos estudar, o resto dedicava-se a biscates nos serviços, a aprenderem um ofício e a grande maioria dedicava-se à agricultura ou deambulava de Terra em Terra, de manta e sacola à costa, pedindo aqui e ali, na procura de um trabalho para se sustentar, esses Homens eram conhecidos por MALTEZES.
Os Malteses, assim apodados pelos naturais das Terras onde apareciam, andavam de Monte em Monte na procura de trabalho e de poderem matar a fome. Quando a sorte os bafejava, fixavam-se nas Terras que os acolhia, formavam família, mas nunca mais deixavam de ser conhecidos como Malteses, mas depois de integrados e quando a sua história de vida fosse conhecida, muitas vezes passavam a ser apelidados com o nome da sua Terra de naturalidade.
A guerra de África, no início dos anos sessenta, por determinação dos Governos ditatoriais, determinaram o envio de milhares de Militares para combaterem os Movimentos de Libertação, esse êxodo forçado durou até 1974, contribuindo para deixasse de haver MALTESES.
Em Campo Maior ainda há muitos Homens que aqui chegaram de manta, cajado e sacola às costas, que aqui se fixaram e que para nossa felicidade, muitos ainda são vivos.
Há no entanto, nessa época já distante, um outro êxodo (migração) muito mais importante, totalmente diferente dos Malteses, que procuraram a nossa terra e que eram conhecidos por GALEGOS, a maioria provenientes da Beira Baixa adquiriram terras e dedicaram-se à Agricultura com muito êxito.
Para os da minha geração, tudo isto lhes é familiar, mas as gerações nascidas depois da Revolução dos Cravos desconhece esta fase da nossa História contemporânea, é para eles que aqui retrato algo da vida de Campo Maior e da miscelânea de sangues que advieram de casamentos e de uniões de facto com gentes naturais de Campo Maior.
Também é bom salientar que muitos Malteses e Galegos evoluíram e progrediram na vida, tornando-se Burgueses.
Diz o Povo, e com muita razão: “As nossas Terras costumam ser mais Madrastas do que Mães”. A maior das verdades é que todos os que para aqui vierem por bem, são sempre bem recebidos e integrados na nossa Sociedade.
Siripipi-Alentejano
Campo Maior, 4 de Outubro de 2014



quarta-feira, 24 de setembro de 2014

CENTRO ESCOLAR CONCLUÍDO

Em 2008 o Governo estabeleceu, através do Dec-Lei nº. 114/2008, o novo quadro de competências na área da Educação e determinou que essas transferências só se poderiam efectuar se os Municípios já possuíssem CARTA EDUCATIVA.
Manda o bom senso que a verdade seja reposta, quando as dúvidas se tenham dissipado e foi graças à acção atempada do anterior Executivo que Campo Maior foi dos primeiros Concelhos do País a dispor de Carta Educativa, apesar de se saber que a sua implementação acarretaria elevadíssimos custos para o orçamento Municipal.
A Carta Educativa previa a construção de um Centro Escolar de raiz para receber toda a população escolar até ao 3º. Ciclo, desactivando-se as actuais Escolas Primárias e o Ciclo.
Em 2010, o Executivo que precedeu a João Burrica, encabeçado por Ricardo Pinheiro, deliberou por maioria com a abstenção da oposição, adjudicar a elaboração dos Projectos necessários para a construção do novo Centro Escolar. É de lamentar que na votação da proposta, a oposição se tenha abstido apesar de concordarem, pois se existe Carta Educativa, esse documento só foi possível por acção de João Burrica, o que tornou aquela votação uma atitude incompreensível.
O novo Centro Educativo já é uma realidade e vai servir uma população escolar perto dos 900 alunos, distribuídos por 39 salas, além de todas as restantes infra-estruturas que as complementa. Trata-se de um investimento que tem sido suportado por verbas provenientes do QREN, através do PORA-CIMAA, no qual o Município, no seu Eixo III, detinha o valor elegível de 1,700,000,00 €, e ainda o regime de OverbooKing neste enquadramento, que disponibilizou fundos substanciais, mas como é óbvio, também implicou avultado fundos do Município.
O prazo de execução da Empreitada terminou no passado dia 31 de Agosto, uma vez que a Empresa Adjudicatária tinha em Junho, solicitado ao Município uma prorrogação de prazo de execução por mais quarenta e cinco dias, o que pressupõe que a Câmara tenha feito a recepção provisória da obra.
Para mal dos nossos pecados, nunca há uma bela sem senão, o imponderável surge, impedindo que o Centro Escolar possa ser utilizado por ainda não existirem as respectivas infra-estruturas, obras que só agora estão sendo iniciadas, quando o deveriam ter sido feitas, antes de se iniciar a sua construção. É o que se chama andar a carroça à frente dos Bois!
Como é possível proceder-se à construção deste equipamento e não terem, da mesma forma, construído os acessos e as condutas gerais de saneamento e abastecimento de água? Onde iriam ser ligados os esgotos e as águas dos Edifícios?
Nenhum MUNICÍPIO, nem a Lei dos Loteamentos Urbanos, permite a construção de Habitações e Loteamentos, sem que as infra-estruturas urbanísticas (arruamentos, passeios, electrificação, águas e saneamento) sejam aprovadas e construídas.
Os Municípios devem exercer as suas competências, mas devem igualmente serem os primeiros a dar o exemplo, cumprindo com os seus deveres, tal como exigem que os Munícipes os cumpram, e estes se o não fizerem sujeitam-se às penalizações contidas na legislação e nos regulamentos.
O novo Centro Escolar e a Requalificação da Escola Secundária em curso, concentram num espaço delimitado, toda a População Escolar de Campo Maior, permite-nos afirmar que o nosso Concelho é um Oásis neste Alentejo tão esquecido.
Oxalá que o novo Centro Educativo abra no início do ano lectivo de 2014/2015, em toda a sua plenitude e com todas as suas valência, sem que haja necessidade de desenrascanços à Portuguesa.
Siripipi-Alentejano

Campo Maior, 24 de Setembro de 2014

terça-feira, 16 de setembro de 2014

EDIFÍCIOS DEGRADADOS

    Não há ainda muito tempo que escrevi sobre a existência de Edifícios privados e até públicos, em adiantado estado de degradação e até alguns ameaçando ruírem a qualquer momento.
É bom recordar aos Campomaiorenses que possuímos um Património invulgar, constituído por um Parque Habitacional excelente e uma Zona Histórica onde existe diversos Monumentos (Castelo, Fossos, Muralhas, Porta da Vila, Fontes) e ainda um vasto Património Religioso (Convento, Igrejas do Mártir Santo, Matriz, São João, Misericórdia, Capela dos Ossos e Igreja de São Pedro).
È um orgulho para nós podermos usufruir deste legado histórico, cada Monumento, Igreja, Casa ou Solar permitem-nos reviver a nossa História, analisá-la até ao mais ínfimo pormenor, todavia, entristece-nos verificar que alguns estão em degradação progressiva, por falta de obras de conservação, manutenção e reparação por parte de seus Proprietários e das Entidades Oficiais de que dependem.
A razão deste tema deveu-se ao facto de ontem no Face Book, ter surgido uma fotografia da antiga Moagem e ter sido chamado a atenção de quem consulta as redes sociais, para o estado deplorável em que se encontra.
É de toda a justiça que os Campomaiorenses exijam ao Município, que assuma a responsabilidade de verificar o estado de degradação em que se encontra o Parque Habitacional e Monumental, fazendo um levantamento exaustivo e na posse dos resultados, deliberar as acções a tomar exigindo dos legítimos responsáveis (Proprietários, Entidades Privadas ou Estatais) a realização das obras necessárias à sua recuperação.
Existem edifícios, que durante muitas épocas, foram referências da população por terem sido locais de trabalho e de muitas outras actividades. A verdade é que nestas condições estão a Moagem, a antiga Fábrica do Anis Domúz, o antigo Hospital da Misericórdia algumas Casas da Rua Direita, dos Quartéis, da Soalheira, antiga casa do Dr. Martinho, da Aldeia de Pastor, etc.
Importa chamar a atenção que em matéria de Habitação, compete ao Município entre outras, garantir a conservação do parque habitacional privado, designadamente através da concessão de incentivos e da realização de obras coercivas de recuperação de edifícios. Podem igualmente ordenar, precedendo de vistoria, a demolição total ou parcial ou a beneficiação de construções que ameacem ruir ou constituam perigo para a saúde pública ou para a segurança das Pessoas.
A nossa Autarquia não pode e nem deve alhear-se desta situação, uma vez que tem poderes para estabelecer protocolos com as Entidades Públicas, para a conservação, manutenção e recuperação do património das áreas classificadas, cabendo-lhes igualmente declarar ou propor superiormente a classificação de imóveis considerados de interesse municipal. Felizmente que as Fontes, tal como preconizei no meu artigo de Abril deste ano, foram recentemente declaradas MONUMENTOS DE INTERESSE MUNICIPAL, pela Câmara em reunião do Executivo.
É urgente que o Município de Campo Maior delibere no sentido de determinar a notificação dos proprietários dos Edifícios mais degradados – Moagem, Antiga Fábrica do Anis, Antigo Hospital da Misericórdia e Casas da Ruas Direita e Aldeia de Pastor – para procederem em conformidade com a Lei, executando as obras necessárias para a sua recuperação e se as não fizerem, sejam assumidas pela via litigiosa.
Aos proprietários de edifícios degradados no Centro Histórico, tal como já referi, a Câmara deveria proceder à notificação dos respectivos proprietários, estipulando-lhes um prazo que lhes permita proceder à sua recuperação isentando-os das respectivas Taxas e na concessão de algumas facilidades para apresentação e aprovação dos projectos.
A recuperação destes imóveis e as requalificações que estão sendo feitas, podem atrair mais Turistas para desfrutarem de toda a nossa riqueza cultural e transmiti-la a outros possíveis visitantes.
A riqueza e um Povo é avaliada em função da sua História e dos legados que nos foram deixados pelos nossos Antepassados e foram eles que contribuíram para que possamos ostentar na nossa Bandeira a sigla de LEAL E VALOROSA VILA DE CAMPO MAIOR.
Siripipi-Alentejano



sábado, 13 de setembro de 2014


O QUE IMPORTAMOS E O QUE EXPORTAMOS

(Distrito de Portalegre)

O Jornal “NEGÓCIOS” numa das suas últimas edições publicou um Mapa, baseado em dados fornecidos pelo INE, que retratava a nível Nacional, os valores de Importações e Exportações de cada um dos Municípios Portugueses.
Trata-se de um assunto interessante, que merece uma análise cuidada dos estudiosos destas estatísticas e dos que sendo leigos, como o meu caso, pretende entender a vida e as potencialidades de cada um dos Municípios do nosso Distrito, apreciando os dados contidos no aludido Mapa.
Há muitos provérbios populares que poderia utilizar como rampa de lançamento deste post, por exemplo “Cada Terra com seu uso, cada Roda com seu fuso”, que significa neste caso, a diversidade de realidades que cada Município possui e as desigualdades que existem entre eles.
As assimetrias que se verificam são fruto de factores como a morfologia e tipo dos solos, a agricultura, a indústria, redes viárias, matérias-primas, a existência de infra-estruturas capazes de atrair investidores e o mais importante a massa humana.
O Distrito de Portalegre tem uma população de 118.962 pessoas segundo o último censo, dividida pelos seus 15 concelhos, existindo somente 6 que têm mais de 5.000 habitantes: Campo Maior 8.793; Elvas-23.087; Nisa-7.350; Portalegre-24.973; Ponte de Sôr-16.691 e Souse-5.103, os restantes estão na ordem dos 3.500.
O tecido Industrial tem um impacto relativo na maioria dos Concelhos, pelos dados fornecidos, são excepção, como irão verificar mais à frente, Campo Maior, Elvas, Portalegre nas importações de bens e serviços. Nas exportações, Avis, Campo Maior, Elvas e Portalegre são os que mais contribuem. É a Agricultura que detém o maior peso nas actividades que aqui são desenvolvidas e é também a área mais difícil de quantificar os rácios de importações e exportações, a Industria mais expressiva só em Campo Maior, Elvas e Portalegre.
Os dados do INE não permitem uma análise profunda, são números e é desses números que devemos retirar algumas ilações. No ano económico de 2013, o Distrito de Portalegre, por concelho apresenta os seguintes valores:



Olhando para os valores acima, verifica-se que as exportações são superiores às importações, com algum significado em Avis; Campo Maior; Sousel e Portalegre é que tem um crescimento muito significativo (185.634.131 €), nos outros Concelhos verifica-se que todos exportaram muito menos do que o que importaram, Elvas foi o concelho que teve um decréscimo de 20.000.000 € nas exportações, apesar de ser um Concelho de Fronteira.
Gostaria ainda de salientar que estes dados podem não corresponder à verdade total, uma vez que a economia paralela e a agricultura, como principal actividade do Distrito, os seus resultados pela dificuldade de quantificação, não são considerados nos seus valores reais por se desconhecerem.
Perante esta realidade, há uma imperiosa necessidade de apelar aos Autarcas, aos Agricultores, aos Industriais e ao Governo para que implemente projectos de desenvolvimento, socorrendo-se dos Fundos Comunitários que estão ao seu dispor, para que Regiões como o nosso Distrito e todo o Alentejo possam beneficiar desses fundos, para o seu desenvolvimento e enriquecimento do País.

Siripipi-Alentejano
Campo Maior, 9 de Setembro de 2014.




quinta-feira, 4 de setembro de 2014

MUNICÍPIO ABATE AMOREIRAS

Em Abril de 1996 escrevi um artigo que intitulei de “O incrível aconteceu – Cortadas abusivamente duas Árvores na Avenida da Liberdade em Campo Maior” e acrescentava que a Sociedade onde estamos inseridos, deve preservar e proteger o meio ambiente, arranjando soluções para ajudar ou evitar a poluição, da mesma maneira, é também um objectivo assaz importante, preservar a floresta, criar zonas verdes como forma de repor o espectro florestal e de enriquecimento da nossa qualidade de vida. Essas Árvores foram cortadas em frente à Caixa de Crédito Agrícola, o meu artigo teve eco e a Câmara Municipal participou a ocorrência ao Ministério Público, por se tratar de um crime de abuso de confiança e de atentado contra o património paisagístico Municipal.
Os responsáveis por esse acto foram punidos judicialmente e foram obrigados a repor árvores adultas com o mesmo porte.
As novelas de abate de árvores continuaram em 2007/ 2008, mais alguns tristes episódios tiveram lugar, desta vez é o Município presidido por João Burrica que determina o abate de Árvores para remodelação do Jardim Municipal e Estrada da Fonte Nova, estas repostas por determinação da JAE, sua legítima proprietária.
Os abates de árvores tiveram de novo o seu início, agora foram as Amoreiras do Largo dos Carvajais, árvores com mais de 100 anos onde os jovens de gerações anteriores e posteriores à minha, brincaram e saborearam seus frutos.
Os nossos olhos têm uma força avassaladora nos destinos da consciência e como dizia um grande Filósofo: “ O nada é uma faca sem cabo à qual lhe extraímos a lâmina”,  o que é que fica “NADA”. Perguntar-me-ão a razão desta divagação, a verdade é que sou Campomaiorense e sofro imenso quando algo da minha Terra é destruído, é o mesmo do que assistir ao apunhalamento de algo que me é querido e eu sem poder para prestar a minha ajuda.
Alguém escreveu que as Árvores Morrem de Pé, quando uma árvore é abatida é um ser que morre, é uma vida que se perde, é um património de todos que desaparece e que muita falta nos fazia.
Mais uma vez a História se repete, agora foi a vez deste  Executivo  querer mostrar serviço e por isso, lá no alto de todo o seu Poder, sentenciou as pobres Amoreiras do Largo dos Carvajais, como quem diz: Vós já não servis para nada! O vosso reinado acabou! Os tempos são outros, vamos modernizar! Se porventura pensaram assim, pensaram mal e esqueceram que as Árvores Morrem de Pé, grande parte dos Campomaiorenses que se  aperceberam deste triste episódio, manifestaram o seu desagrado condenando a atitude desta triste decisão.
Não sei a razão que levou a Câmara a deliberar o abate das árvores, quero todavia dar-lhes o benefício da dúvida, porque toda a decisão tomada só tem eficácia externa se for do conhecimento público, através de Edital ou das Actas das reuniões,  a última Acta publicada é de 14 de Maio do ano em curso  e nas publicadas não existe qualquer deliberação, a não ser que tenha sido tomada nas Reuniões que ainda não foram publicadas no Site do Município.
As Autarquias Locais são Órgãos de Administração Pública e têm como atribuições o que diz respeito aos interesses próprios, comuns e específicos das suas populações, designadamente entre outras: a defesa e protecção do  meio ambiente e da qualidade de vida do respectivo agregado populacional.
As novas tecnologias que estão à nossa disposição, podem e devem servir como meio de divulgação e auscultação das Populações, para os objectivos que os Organismos, com poder de decisão, queiram implementar, a esta auscultação devemos chamar de ACTO PARTICIPATIVO ou de AUSCULTAÇÃO PRÉVIA. Qualquer decisão colegial tomada na sequência destas práticas é um Acto que devemos apodá-lo de extremamente coerente e correcto.
Siripipi-Alentejano

Campo Maior, 4 de Setembro de 2014

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

BOYS, ENGRAXADORES, LAMBITAS E LAMBE-BOTAS

Num País em crise, onde impera a Lei do mais forte e em que a vida das Pessoas não conta e se tornou numa Selva, as Pessoas para sobreviverem, tornam-se por vezes joguetes dos poderosos e há até os que para viverem se sujeitam a enveredar por princípios imorais.
A Sociedade onde estamos inseridos presta-se, a que para se atingirem determinados objectivos, muitos não olhem a meios para os alcançar, mesmo que para tal seja necessário usar esquemas de subserviência, de sabujice e de cariz pidesco, o que lhes importa é que eles estejam bem e que o seu semelhante se lixe.
Na política, no emprego, na vida em sociedade, são as áreas mais vulneráveis e propensas a este tipo de actuação, é aqui que os espertos aparecem para se auto-promoverem, usando os mais variados esquemas, infiltram-se nas esferas de acção das Chefias, dos Patrões, dos Políticos e como um Polvo estendem os Tentáculos e manipulam-nos, nunca para beneficiarem o próximo, mas sim para seu interesse pessoal.
Na vida Associativa há por vezes situações semelhantes, todavia, nesta área que se rege por regras contidas no Direito Civil e pelos Regulamentos dessas Instituições, o que mais transparece é a apetência pelo Poder ao ficarem vários mandatos à frente dos seus destinos, fazendo crer que são insubstituíveis e até se julgam que são os seus legítimos donos, o que não é verdade face a Lei vigente. Também há os que através de outros esquemas, pouco lícitos, conseguem continuar nas cadeiras do Poder.
Nestes casos, também importa referir, que por vezes a falta de gente interessada para o desempenho de um cargo de direcção, obriga à sua continuidade e essa continuidade cria vícios nocivos e por vezes perversos.
No mundo laboral é onde se nota mais a existência de engraxadores, lambitas e lambe-botas, aqui a vida é uma selva quase virgem, de caminhos difíceis onde impera a inveja, a sabujice e em que o Trabalhador tem que conviver com gente sem escrúpulos, ávida de poder e sempre pronta a chibar, desde que disso tire algum proveito.
É no mundo do trabalho que surgem as situações mais gritantes face ao grande número de desempregados, a necessidade de manter o posto de trabalho, quase que obriga o trabalhador para o manter a abraçar situações menos correctas que podem prejudicar quem com ele convive.
Na Política, a situação é muito mais complexa e susceptível de lutas internas, porque a apetência pelo Poder ou a nomeação para o desempenho de funções pública/partidárias, ultrapassa o bom senso de cada um e até pode transformar amigos em inimigos, como criar feridas profundas no seio dos seus Partidos.
Os Boys ou benjamins de alguns Senhores da Política, muito Jovens e sem experiência de vida, que proliferam nos Partidos, julgam-se no direito de preferência para o desempenho dum qualquer cargo, e para mal dos nossos pecados, muitas vezes são posto como responsáveis de cargos públicos sem experiência e sem preparação.
Em todos os sectores da vida existem esse tipo de Gente, o estado em que se encontra Portugal, é fruto da inépcia, da imaturidade e da falta de preparação dos Boys que se colaram aos Partidos e é igualmente fruto da acção dos Lambitas e dos Lambe-Botas de que a nossa Sociedade está recheada, os afilhados e os padrinhos continuarão a fazer das suas e o Zé Povinho dificilmente conseguirá sair e sobreviver deste marasmo em que o nosso País se tornou.
Siripipi-Alentejano
Campo Maior, 22 de Agosto de 2014



quarta-feira, 13 de agosto de 2014

EMIGRANTES DE Férias

O Verão está no auge e os nossos Emigrantes regressam para passarem um período de merecidas Férias junto de todos os seus Familiares e ao mesmo tempo, saborearem com avidez os prazeres que as suas Terras lhes proporcionam.
Após um ano de árduo trabalho, muitas vezes em condições adversas, esperam pela hora de partirem, para poderem matar a saudade que lhes ruía a alma, é a Família, os Amigos, as Romarias, o Descanso, a Gastronomia, os Petisquinhos e o nosso Sol, que ao longo desse ano de trabalho lhes falta e que se torna numa miragem, que se vai tornar realidade todos os Verões ou no Natal.
Ao falar de Emigrantes, é obrigatório voltar ao século passado, anos sessenta/setenta, para remexer o Baú das recordações e retirar as razões políticas e sociais que desencadearam esse tão grande movimento de Pessoas, os Jovens de hoje desconhecem essa situação, Portugal era um País cinzento, sem alegria, onde imperava a Fome e Desemprego, governado por um Ditador Fascista que oprimia o Povo e o manietava. A Terra estava nas mãos dos Latifundiários que exploravam o trabalhador porque, por não existir Industria ou outras formas de trabalho, sujeitavam-se por batuta e meia a servirem os Senhores.
Nessa época existiam algumas artes e ofícios, que dispunham de pouca mão-de-obra, mas que ainda iam ensinando algum ofício aos que não tinham ou não queriam o trabalho do campo.
A Educação e a Cultura eram deficientes, nem todos podiam ir à Escola porque a necessidade das Famílias em angariarem o seu sustento, não se podiam dar ao luxo de mandar os seus Filhos aprender a Ler, porque eles tinha que trabalhar para ajudar a casa, enquanto a Escola não era obrigatória. O analfabetismo era um dos males da Sociedade desses tempos, aos Governantes interessava-lhes o Povo inculto e analfabeto para os poderem manobrar a seu belo prazer.
A eclosão das lutas dos Povos das antigas Colónias pela sua Libertação, levou a que o Ditador Salazar determinasse o envio imediato de Forças Militares para as defenderem, uma vez que a exploração desses Povos era a maior fonte de riqueza do País. Se foi uma Fonte de Riqueza, também se tornou um Cemitério de Vidas, nessa nefasta Guerra pareceram milhares de Jovens que foram obrigados a pegarem Armas contra a sua vontade.
Diz o Povo, que depois da tempestade vem a bonança, a verdade é que essa injusta Guerra levou a que muitos Portugueses fugissem do País, para não irem à Guerra e procurassem o seu sustento emigrando. A emigração, que não era autorizada, tornou-se como clandestina, a melhor forma de deixar o País.
A par dos Jovens, os mais velhos perderam o medo e começaram igualmente, pela calada da noite, com o auxílio de passadores, rumarem a outros Países na miragem de uma vida melhor. Em principio eram os Homens, mais tarde e quando já existia alguma estabilidade, iam as esposas e só depois os Filhos.
A história da Emigração, os sacrifícios e as dificuldades que os primeiros Emigrantes passaram, são histórias de Vida merecedoras de serem conhecidas pela sua vivência, pelo seu sacrifício, pelas dificuldades encontradas (Língua, clima, integração) e habituação à forma de vida desses Países.
A emigração contribuiu para que o Portugal de hoje se modernizasse, com as suas poupanças e com os conhecimentos que adquiriram nos seus postos de trabalho, contribuíram para o nosso desenvolvimento, mas também foram eles que ajudaram a construir e a desenvolver os Países que os acolheram, tornando-os mais ricos.
É verdade que nem sempre a Emigração foi uma Gaiola Dourada, para se chegar a ter-se uma posição cómoda, houve muitos Emigrantes que passaram, no início por situações extremamente difíceis, mas na verdade onde há um Português, a solidariedade não é uma palavra vã e a ajuda surge imediatamente quer para os abrigar nos primeiros dias, quer para os ajudarem na procura de trabalho.
A Emigração de hoje é diferente, grande parte dos novos Emigrantes são Jovens Licenciados que procuram disponibilizar os conhecimentos adquiridos nas nossas Universidades, cursos pagos pelos dinheiros dos Pais e do País, para ajudarem com seus conhecimentos o desenvolvimento de outros Países.
Um País que não faz nada pelos seus Jovens e que os manda emigrar, não merece os Filhos que tem.
Os Emigrantes que estão chegando, para gozarem as suas Férias merecem, pelo esforço, nostalgia e as saudades que sempre os acompanha, serem recebidos e terem bons dias de descanso e de retemperarem as forças para mais uma nova etapa de Trabalho.
Siripipi-Alentejano
Campo Maior, 13 de Agosto de 2014